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Agosto Lilás: como o empreendedorismo pode contribuir para romper o ciclo da violência

Todos os anos, em agosto, o lilás ganha espaço nas redes sociais, nas campanhas e nos discursos institucionais. O Agosto Lilás reforça a importância da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, e amplia a mobilização pelo enfrentamento à violência contra as mulheres. A campanha também busca divulgar direitos, serviços especializados e canais de acolhimento […]

Publicado em 21 de agosto de 2026

Todos os anos, em agosto, o lilás ganha espaço nas redes sociais, nas campanhas e nos discursos institucionais. O Agosto Lilás reforça a importância da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, e amplia a mobilização pelo enfrentamento à violência contra as mulheres. A campanha também busca divulgar direitos, serviços especializados e canais de acolhimento e denúncia.

Existe, porém, uma dimensão dessa discussão que precisa ganhar mais espaço: a autonomia financeira como parte da construção de caminhos para sair de um ciclo de violência.

Por que falar de dinheiro é falar de segurança

A dependência financeira pode dificultar que uma mulher rompa com uma relação abusiva. Romper com esse vínculo também envolve desafios concretos: encontrar um lugar para morar, garantir o próprio sustento e o dos filhos e reorganizar a vida financeira.

Ter uma fonte de renda própria, seja por meio de um emprego, trabalho autônomo ou negócio, pode ampliar as possibilidades de escolha e contribuir para que a mulher tenha mais autonomia para tomar decisões sobre a própria vida.

Mas é importante lembrar: a responsabilidade pela violência nunca é da vítima, e a renda, sozinha, não resolve uma situação de violência. A saída de um ciclo de violência pode exigir apoio psicológico, jurídico, social e, em situações de risco, proteção dos serviços especializados.

Empreender como reconstrução, não apenas como sobrevivência

Para algumas mulheres, o empreendedorismo pode fazer parte de um processo de reconstrução. Mas é importante não romantizar essa trajetória.

Empreender durante ou depois de uma experiência de violência também envolve lidar com inseguranças, sobrecarga, dificuldades financeiras e impactos emocionais que podem interferir nas decisões e no planejamento do futuro.

Por isso, iniciativas de apoio ao empreendedorismo feminino podem contribuir quando oferecem mais do que conteúdos sobre negócios. Entre os caminhos possíveis estão:

  • Capacitação prática: conhecimentos sobre gestão financeira, precificação, planejamento, vendas e ferramentas digitais que ajudem a fortalecer a autonomia e a sustentabilidade do negócio.
  • Acesso a crédito e capital: possibilidades de financiamento adequadas à realidade de mulheres que estão começando ou reconstruindo sua trajetória profissional.
  • Rede de apoio: espaços de acolhimento, troca e conexão que ajudem a reduzir o isolamento e aproximem as mulheres de oportunidades e serviços especializados quando necessário.

O papel das redes de apoio

Comunidades de empreendedorismo feminino podem desempenhar um papel que vai além de ensinar a vender, divulgar um produto ou organizar o fluxo de caixa.

Bem estruturadas, essas redes também podem ser espaços de escuta, acolhimento e conexão. Podem ajudar uma mulher a perceber que não está sozinha, compartilhar informações sobre serviços públicos e organizações especializadas e facilitar o acesso a outras formas de apoio.

Isso não substitui a rede formal de proteção. Pelo contrário: fortalece os caminhos para que mais mulheres conheçam seus direitos e saibam onde buscar ajuda. O próprio Agosto Lilás reforça a importância da articulação entre sociedade e serviços especializados no enfrentamento à violência.

Central de Atendimento

Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, procure ajuda. Ligue 180 para orientação, acolhimento e encaminhamento. Em situações de emergência, acione a Polícia Militar pelo 190.

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Assistente de Comunicação e Marketing da RME e IRME

Rayany Madureira Profissional de Marketing