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Inserção de refugiados no mercado de trabalho brasileiro é tema de painel

Encontro promovido pela WeWork na noite de 27 de junho contou com a presença e depoimentos de contratantes e refugiados sobre o assunto   A WeWork, em parceria com a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), realizou, na última quinta-feira (27) em São Paulo (SP), o evento “Setor Privado e Refugiados: como […]

Publicado em 10 de julho de 2019

Encontro promovido pela WeWork na noite de 27 de junho contou com a presença e depoimentos de contratantes e refugiados sobre o assunto

 

A WeWork, em parceria com a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), realizou, na última quinta-feira (27) em São Paulo (SP), o evento “Setor Privado e Refugiados: como a minha empresa pode contribuir?”. Durante o encontro, além de pratos típicos da Síria e Venezuela preparados por refugiados apoiados pela ONG Migraflix, o público pôde conhecer e ouvir as histórias e impressões de Huguette Malonga Senker e Alphonse Nyembo, ambos refugiados da República Democrática do Congo.

 

“Sou formado em jornalismo, mas já no Brasil decidi fazer uma nova faculdade, em mecatrônica, para aumentar as minhas chances de emprego. Foi um período difícil, em que comecei a dar aulas de inglês e francês para conseguir pagar as contas aqui”, comenta Alphonse. “Depois, consegui trabalhar em uma empresa, o que me deu o conhecimento necessário para me profissionalizar e começar uma nova vida no Brasil” completa.

 

Segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), o Brasil reconheceu, até o final de 2017, 10.145 refugiados de diversas nacionalidades. Desses, apenas 5.134 têm registro ativo no país. “Temos, aqui no Brasil, uma legislação muito positiva, que garante a refugiados direitos e acesso a serviços públicos. Mas, na prática, a longo prazo, a inserção dessas pessoas ao emprego na mesma área de conhecimento em que são formadas é um desafio. Seja pela linguagem ou pela cultura”, explica Camila Sombra, chefe adjunta do escritório do ACNUR em São Paulo. Nesse sentido, uma das iniciativas da agência, em parceria com a Rede Brasil do Pacto Global da ONU, é a plataforma Empresas com Refugiados, que reúne cases de empresas engajadas na causa de diversas maneiras.

 

A WeWork tem participado e apoiado ações pela causa do refúgio no país desde 2018, quando lançou a Refugee Initiative, seu programa global de apoio à inserção de refugiados no mercado de trabalho. “Para além da frente de contratação direta, buscamos usar uma das nossas maiores expertises, que é a criação de conexões, para mobilizar e engajar pessoas e empresas em relação à causa. Dezenas de pessoas já tiveram acesso a processos seletivos de empresas de diversos setores por meio de workshops de recrutamento e seleção realizados em unidades da WeWork, o que nos deixa muito felizes”, explica Camila Weber, gerente de comunicação e relações institucionais da WeWork.

 

Mais de 40 empresas já participaram desses workshops, entre elas o Grupo OIKOS, que fornece serviços de limpeza e copa para a WeWork e trabalha com funcionários estrangeiros desde 2013. “Acredito ser fundamental desmistificar a ideia de que o processo de contratação de refugiados é complexo”, diz Sérgio Vitelli, diretor-executivo da empresa. “Além da parte humanitária, a contratação de refugiados é muito positiva para o negócio em si. Nossos dados mostram que o turnover, ou seja, a rotatividade entre nossos funcionários refugiados e imigrantes é inclusive bem mais baixa perto da média geral”, completa.

 

Encerrando o evento, o congolês Alphonse, que passou a fazer parte da equipe da WeWork há algumas semanas, comentou sobre a importância de que o setor privado se engaje e apoie a causa: “É muito bom ver esse tipo de ação sendo promovida por empresas. Enquanto refugiados vindos de tantas partes diferentes do mundo, nós temos muito a agregar às empresas e às equipes. Basta que elas também estejam abertas a conhecer e aprender conosco”, finaliza.