Artigos

Por que empreender com sustentabilidade é uma tendência, segundo fundadora de startup de biomateriais

Economia circular, ciência e tecnologia deram origem à Mabe Bio, que criou alternativa ecológica ao couro; fundadora afirma que há espaço para crescimento

Publicado em 29 de agosto de 2025

Em tempos em que grandes indústrias são pressionadas por mais sustentabilidade, o leque de oportunidades para empresas que miram impacto ou que auxiliam outras companhias em busca de práticas mais sustentáveis, vira mais do que uma missão social, mas uma oportunidade de negócio.

É assim com a Mabe Bio, startup paulista que utiliza resíduos vegetais para a produção de itens sustentáveis, vem conquistando mercado, investidores e uma extensa carteira de clientes em uma fila de espera composta por grandes indústrias brasileiras.

O projeto é de Marina Bellintani, uma designer de moda e mestre em indústria têxtil. Ao lado da colega e sócia Rachel Maranhão, elas criaram a empresa que oferece uma alternativa ao couro animal e sintético. “A ideia surgiu da minha vontade de contribuir com inovação para a indústria têxtil do Brasil, e dessa visão sistêmica de criação de novos negócios com mais empatia ao processo produtivo como um todo”, diz a empreendedora.

O negócio segue o conceito da bioeconomia e circularidade, que favorece o uso de materiais de segunda vida, encontrando também novas finalidades para matérias-primas encontradas na natureza. Para isso, a Mabe Bio utiliza vagens da árvore angico para desenvolver biomateriais que se assemelham ao couro animal, mas são sustentáveis e biodegradáveis.

O problema do carbono

A empresa busca solucionar um problema caro à indústria têxtil brasileira: a pegada de carbono e destruição ambiental causada pela cadeia do couro, responsável por 18% das emissões de gases de efeito estufa no país.

Ao trabalhar com a indústria, a Mabe Bio pretende encontrar escala, principalmente no setor têxtil — especialmente impactado pelas práticas de desperdício e alvo comum de novas regulamentações globais. De acordo com Marina, 80% da pegada de carbono de uma roupa vem dos materiais que a constitui, o que justifica a ambição da startup em crescer e alcançar grandes representantes da indústria. “É uma demanda que já existe e está batendo à porta”, diz.

Há dois anos no mercado, a Mabe Bio se debruçou em pesquisa e desenvolvimento para aprimorar sua matéria-prima, antes de levá-la ao mercado em escala comercial. Até o momento, a empresa conta com uma longa fila de espera para a versão piloto do produto, que pretende atender setores que vão da moda a calçados a arquitetura, aviação e até mesmo automóveis.

Fato é que o olhar atento à economia circular vai além de uma missão social para Belintani. Trata-se também de uma oportunidade de negócios com grande potencial econômico. De acordo com um relatório da consultoria Spherical Insights & Consulting, o mercado global de economia circular deve saltar de US$ 554,5 bilhões em 2023 para US$ 1,8 trilhão em 2033.

Para a fundadora, ampliar o negócio, contudo, depende também de uma grande transformação de mindset. “Sabemos que as deep techs estão se popularizando no Brasil, mas existe uma dificuldade em compreender quão complexo é validar um produto, atingir todos os parâmetros de performance e qualidade, escalonar para, só então começar a vender e ver de fato o impacto começar”, diz.

Motivos para apostar na economia circular ao empreender

Apesar da complexidade da cadeia, é uma indústria que já mostra seus resultados. Segundo Marina, a oportunidade ao empreender unindo tecnologia, ciência e sustentabilidade está em atender outras grandes indústrias — o que amplia o impacto gerado por empresas dedicadas que, como a Mabe Bio, desenvolvem biomateriais. “É um conceito muito novo. Há uma grande oportunidade de novas tecnologias, processos e produtos e com menor impacto ambiental “, diz.

Além disso, ela classifica o Brasil como “um mar de oportunidades” devido à sua variedade biológica natural e matriz energética essencialmente limpa. “O país tem muitas opções de plantas, uma rica biodiversidade. Também há muita pesquisa científica e muita possibilidade de inovar criando processos produtivos circulares e sustentáveis”, diz. Segundo a fundadora, o país será cada vez mais buscado por nações interessadas em reduzir suas pegadas de carbono em grande escala.

“Estamos vendo um interesse crescente, porque é uma dor latente. A indústria não oferece muitas opções que apresentem alternativas ao uso de materiais animais ou químicos. Então indústrias que querem reduzir a pegada de carbono da sua operação precisarão de nós. É um segmento que logo se tornará prioridade global”.

Atualmente, a Mabe Bio está prestes a iniciar seu projeto de escalonamento, deixando as dependências do laboratório e dando início a uma pequena operação de comercialização voltada aos clientes em fila de espera.

Parceria Rede Mulher Empreendedora e Estímulo

Olhando para toda a história do Estímulo, o fundo já passa de R$342 milhões em apoio financeiro para mais de 5,5 mil pequenos negócios de todo país, sendo 91% deles em regiões de baixa renda e 54% com mulheres em seu quadro societário. Destes, 36% tiveram acesso a crédito pela primeira vez. Ao todo, são 55 mil empregos impactados, gerando renda e prosperidade para os colaboradores, suas famílias e a comunidade em geral. O Estímulo registra ainda outros 194 mil empreendedores cadastrados com acesso à toda capacitação, seja em cursos, mentorias ou consultorias.

A Rede Mulher Empreendedora é parceira de crédito e capacitação do fundo de impacto Estímulo, desde a sua fundação em 2020. Caso tenha interesse em pedir apoio financeiro para seu negócio, visite o site estimulo2020.org, confira as condições e receba o depósito em até 5 dias direto na sua conta PJ (sujeito à análise de crédito).

ARTIGO ESCRITO POR

https://rme.net.br/wp-content/uploads/2025/02/unnamed-1-e1740512067460-150x150.jpg

Passou por publicações como Exame, Época Negócios e Autoesporte, e colaborou com a Gazeta do Povo, Cajuína e CNN. Vencedora do Prêmio de Destaque em Franchising em 2022 e coautora do livro "Mulheres no Jornalismo".

Maria Clara Dias Jornalista especializada em negócios, empreendedorismo e tecnologia