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Onde está o tempo das mulheres empreendedoras? Sobrecarga, cuidado e saúde emocional

Empreender exige tempo, dedicação e energia. Mas, para muitas mulheres, essas não são as únicas responsabilidades que ocupam sua rotina. Entre administrar um negócio, cuidar da casa, dos filhos e de familiares, muitas acabam tendo pouco espaço para cuidar de si mesmas. No Brasil, a divisão desigual das responsabilidades de cuidado ainda é uma realidade […]

Publicado em 9 de setembro de 2026

Empreender exige tempo, dedicação e energia. Mas, para muitas mulheres, essas não são as únicas responsabilidades que ocupam sua rotina. Entre administrar um negócio, cuidar da casa, dos filhos e de familiares, muitas acabam tendo pouco espaço para cuidar de si mesmas.

No Brasil, a divisão desigual das responsabilidades de cuidado ainda é uma realidade que impacta diretamente a vida profissional das mulheres. Os dados da pesquisa Empreendedoras e Seus Negócios, do Instituto RME, ajudam a dimensionar esse cenário e mostram como a sobrecarga pode atravessar diferentes dimensões da vida das empreendedoras.

Segundo o estudo, 84,8% das mulheres exercem trabalho de cuidado não remunerado. Além disso, 75,7% já interromperam o trabalho para realizar atividades de cuidado. Quando essas responsabilidades se acumulam, o impacto também chega aos negócios: 61,7% afirmam que a sobrecarga de trabalho interfere no desenvolvimento de suas empresas.

Quando cuidar também ocupa o tempo de empreender

O trabalho de cuidado é fundamental para o funcionamento das famílias e da sociedade, mas ainda é distribuído de maneira desigual. Para muitas mulheres, cuidar de outras pessoas significa reorganizar a agenda profissional, interromper atividades, adiar decisões ou reduzir o tempo dedicado ao próprio negócio.

Na prática, isso significa que o tempo disponível para planejar, vender, estudar, fazer networking, buscar oportunidades ou simplesmente descansar pode ser limitado por uma rotina marcada por múltiplas demandas.

E essa sobrecarga não deve ser entendida apenas como uma dificuldade de organização individual. Ela está relacionada a uma questão estrutural: quem cuida, por quanto tempo e com quais redes de apoio?

O impacto vai além do negócio

Quando falamos sobre os efeitos da sobrecarga, é importante olhar para além dos indicadores de produtividade e crescimento empresarial.

Uma rotina constantemente sobrecarregada pode reduzir as oportunidades de descanso e autocuidado e contribuir para o aumento do estresse, do cansaço e do sofrimento emocional. Por isso, discutir as condições em que as mulheres empreendem também significa discutir as condições em que elas vivem.

Ter tempo para si não deveria ser visto como um luxo ou como algo que só acontece depois que todas as outras tarefas foram concluídas. O cuidado com a própria saúde também precisa fazer parte da rotina.

Setembro Amarelo: ampliar a conversa sobre cuidado

O Setembro Amarelo reforça a importância de falar sobre saúde mental e prevenção do suicídio, ampliando espaços de escuta, acolhimento e busca por ajuda.

Dentro dessa conversa, olhar para a sobrecarga vivenciada pelas mulheres também é importante. Afinal, promover saúde emocional passa por reconhecer os fatores que podem afetar o bem-estar e por fortalecer redes de apoio.

Isso significa criar espaços em que as mulheres possam falar sobre suas dificuldades sem julgamento, compartilhar responsabilidades e buscar apoio quando necessário.

Para as mulheres empreendedoras, essa rede pode ser ainda mais importante. Empreender muitas vezes envolve lidar com incertezas, decisões constantes, pressão financeira e responsabilidades que não terminam quando o expediente acaba.

Cuidar de quem cuida também é uma responsabilidade coletiva

Os dados mostram que a sobrecarga não é uma experiência isolada. Ela faz parte da realidade de muitas mulheres e tem consequências que chegam à vida profissional, pessoal e emocional.

Por isso, construir um ambiente mais favorável ao empreendedorismo feminino também passa por dividir de forma mais justa as responsabilidades de cuidado, fortalecer redes de apoio e garantir que as mulheres tenham espaço para cuidar de si.

Não se trata de escolher entre cuidar dos outros, cuidar do negócio ou cuidar da própria saúde. O desafio é construir uma realidade em que as mulheres não precisem abrir mão de uma dimensão da vida para conseguir sustentar as outras.

Neste Setembro Amarelo, o convite é para ampliar o olhar: falar de saúde emocional também é falar de sobrecarga, tempo, apoio e das condições que permitem que as mulheres empreendam e vivam com mais autonomia e bem-estar.

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Assistente de Comunicação e Marketing da RME e IRME

Rayany Madureira Profissional de Marketing