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O que ninguém te falou sobre empreender (e sobre a realidade das mulheres no Brasil)

Empreender, no imaginário coletivo, costuma estar associado à liberdade: fazer o próprio horário, ser sua própria chefe, construir algo do zero. Mas, para milhões de mulheres brasileiras, essa história começa de um jeito bem diferente. Na prática, empreender, muitas vezes, não nasce da escolha, nasce da necessidade. Em 2024, o Brasil atingiu a marca recorde […]

Publicado em 17 de abril de 2026

Empreender, no imaginário coletivo, costuma estar associado à liberdade: fazer o próprio horário, ser sua própria chefe, construir algo do zero. Mas, para milhões de mulheres brasileiras, essa história começa de um jeito bem diferente.

Na prática, empreender, muitas vezes, não nasce da escolha, nasce da necessidade.

Em 2024, o Brasil atingiu a marca recorde de 10,4 milhões de mulheres empreendedoras. Um número que mostra crescimento e movimento, mas que também revela um cenário mais complexo: muitas mulheres empreendem porque precisam garantir renda, sustentar suas famílias e criar alternativas diante de um mercado de trabalho que ainda exclui.

E, mesmo com esse avanço, ainda não ocupamos o mesmo espaço.

As mulheres representam cerca de 34% das pessoas donas de negócios no país. Somos maioria na população e nas universidades, mas ainda não somos metade no empreendedorismo. Esse dado evidencia que o acesso às oportunidades segue sendo desigual.

Quando olhamos mais de perto, a realidade se torna ainda mais clara.

Segundo a pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios 2024”, do Instituto RME, 73% das empreendedoras são mães e 37% são mães solo. Ou seja, para muitas, empreender não é apenas uma escolha profissional, mas uma estratégia de sobrevivência e sustento familiar.

Essa realidade se conecta diretamente com outro desafio estrutural: a sobrecarga.

Abrir um CNPJ não elimina as responsabilidades domésticas. As mulheres continuam dedicando quase o dobro de horas semanais aos cuidados com a casa e com outras pessoas em comparação aos homens. Na rotina, isso significa conciliar atendimento a clientes, gestão do negócio, organização financeira, cuidado com os filhos e manutenção da casa, muitas vezes sem rede de apoio. O chamado “horário flexível” acaba se transformando em uma jornada contínua, sem pausas definidas.

Outro ponto crítico é o acesso ao crédito.

Mulheres empreendedoras ainda enfrentam mais barreiras para obter financiamento e, frequentemente, recorrem a recursos próprios ou crédito como pessoa física. Sem capital, torna-se mais difícil investir, estruturar e expandir o negócio, o que limita o potencial de crescimento.

A questão da renda também merece atenção.

Grande parte das empreendedoras brasileiras fatura até R$ 2.400 por mês. Para muitas, esse valor não é complementar, é a única fonte de sustento da família.

Além disso, é fundamental reconhecer que não existe uma única realidade quando falamos de mulheres empreendedoras.

Cerca de metade delas são mulheres negras. Isso mostra que discutir empreendedorismo feminino no Brasil também envolve falar sobre raça, território e acesso a oportunidades. São contextos distintos, marcados por desafios específicos que precisam ser considerados.

Diante de tudo isso, é possível afirmar que empreender, para muitas mulheres, é ao mesmo tempo uma expressão de potência e um exercício constante de resistência. Resistência para seguir mesmo diante da sobrecarga, para crescer com menos acesso a recursos e para sustentar não apenas um negócio, mas muitas vezes toda uma família.

Reconhecer esse cenário é essencial para promover mudanças reais.

Fortalecer redes de apoio, ampliar o acesso à capacitação e ao crédito e desenvolver políticas mais inclusivas são caminhos fundamentais. Quando uma mulher empreende com suporte, ela não apenas impulsiona seu negócio, mas também transforma sua realidade, impacta sua família e contribui para o desenvolvimento de toda a sua comunidade.

ARTIGO ESCRITO POR

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Assistente de Comunicação e Marketing na RME.

Rayany Madureira Profissional de Marketing