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8 de Março: entre desafios, violências e resistências!

O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data simbólica no calendário. A data representa um marco histórico de mobilização por direitos, segurança, equidade e dignidade para as mulheres. É um momento de reflexão sobre conquistas importantes, mas também sobre as desigualdades persistentes que ainda estruturam a vida das mulheres no Brasil. Na Rede […]

Publicado em 8 de março de 2026

O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data simbólica no calendário. A data representa um marco histórico de mobilização por direitos, segurança, equidade e dignidade para as mulheres. É um momento de reflexão sobre conquistas importantes, mas também sobre as desigualdades persistentes que ainda estruturam a vida das mulheres no Brasil.

Na Rede Mulher Empreendedora, entendemos que falar sobre empreendedorismo feminino é falar sobre autonomia econômica, fortalecimento coletivo e transformação social. No entanto, essa conversa só é completa quando reconhecemos os desafios concretos que atravessam a trajetória das mulheres em diferentes contextos.

Desigualdades que moldam trajetórias

A desigualdade de gênero se manifesta de maneira cotidiana e estrutural. Mulheres seguem recebendo salários menores do que homens em funções equivalentes, encontram mais obstáculos para acessar crédito e investimento e continuam sub-representadas em cargos de liderança. Paralelamente, são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico e pelo cuidado com filhos e familiares, o que impacta diretamente suas possibilidades de crescimento profissional.

Para muitas brasileiras, o empreendedorismo surge como alternativa diante da escassez de oportunidades ou da necessidade urgente de gerar renda. Porém, iniciar e manter um negócio em um ambiente de instabilidade econômica e desigualdade estrutural exige esforço redobrado.

Esse cenário se torna ainda mais grave quando consideramos os dados sobre violência. Informações divulgadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que os índices de violência contra mulheres continuam alarmantes. Feminicídios, agressões físicas, violência psicológica e patrimonial permanecem presentes na realidade de milhares de brasileiras. Quando cruzamos gênero com raça e território, percebemos que mulheres negras e periféricas enfrentam níveis ainda maiores de vulnerabilidade.

Violência e limitação da autonomia

A violência contra a mulher não se restringe à agressão física. Ela pode se manifestar de maneira silenciosa por meio do controle financeiro, da desqualificação constante, da manipulação emocional ou do impedimento ao trabalho e ao estudo. A violência econômica, por exemplo, limita a capacidade de decisão e compromete a independência da mulher, dificultando sua saída de contextos abusivos.

Nesse sentido, a autonomia financeira assume um papel estratégico. Gerar renda própria amplia possibilidades, fortalece a autoestima e oferece maior capacidade de escolha. Embora a independência econômica não elimine todas as desigualdades, ela representa um passo importante na construção de trajetórias mais seguras e sustentáveis.

Empreender em meio às múltiplas jornadas

Empreender sendo mulher, especialmente em contextos de vulnerabilidade, envolve administrar múltiplas responsabilidades simultaneamente. Muitas mulheres conciliam a gestão do negócio com o cuidado da casa, dos filhos e da família, além de enfrentarem a insegurança típica de quem atua em mercados competitivos e, muitas vezes, informais.

Além dos desafios práticos, há barreiras simbólicas que afetam a autoconfiança. A síndrome da impostora, o receio de se posicionar publicamente e a tendência à autossabotagem são experiências comuns. Ainda assim, milhares de mulheres seguem construindo negócios, ampliando redes e criando soluções inovadoras em seus territórios.

Reconhecer essa força cotidiana é fundamental para romper a lógica que naturaliza a sobrecarga e invisibiliza o esforço feminino.

O reconhecimento como ponto de partida

Durante gerações, mulheres foram socializadas para ocupar espaços designados e duvidar da própria capacidade. Esse processo impacta diretamente a forma como se posicionam profissionalmente e como percebem o próprio valor.

Reconhecer a própria trajetória, validar aprendizados construídos na prática e compreender que dificuldades estruturais não representam fracasso individual são movimentos essenciais para o fortalecimento feminino. Esse reconhecimento não se trata de exaltação individual, mas de consciência crítica sobre o próprio percurso e sobre as estruturas que precisam ser transformadas.

A força da coletividade

Diante de tantos desafios, a construção de redes de apoio torna-se um elemento central para o desenvolvimento sustentável de mulheres empreendedoras. O isolamento pode intensificar inseguranças e dificultar o acesso a informações estratégicas. Já a coletividade cria um ambiente mais favorável ao aprendizado, à troca de experiências e ao crescimento.

Estar em rede permite compartilhar soluções, ampliar repertórios e acessar oportunidades que dificilmente seriam alcançadas de forma individual. Também contribui para que mulheres compreendam que muitas das dificuldades enfrentadas não são falhas pessoais, mas reflexos de desigualdades históricas.

Ao promover capacitação, conexões e acesso à informação qualificada, a Rede Mulher Empreendedora fortalece trajetórias individuais e amplia o impacto coletivo. Quando mulheres crescem juntas, os resultados se multiplicam em famílias, comunidades e ecossistemas de negócios.

Um compromisso que vai além da data

O Dia Internacional da Mulher deve ser entendido como um momento de reafirmação de compromissos sociais e institucionais. Não se trata apenas de celebrar conquistas, mas de reforçar a necessidade de políticas públicas eficazes, ações concretas de combate à violência, ampliação de acesso a crédito e promoção de igualdade de oportunidades.

Para as mulheres, o recado também é claro: reconhecer a própria potência é parte do processo de transformação. Buscar apoio, fortalecer redes e investir em conhecimento são estratégias que ampliam horizontes e reduzem vulnerabilidades.

A luta por equidade de gênero é coletiva e contínua. Cada mulher que se fortalece contribui para uma sociedade mais justa. Cada iniciativa que promove autonomia gera impacto que ultrapassa o âmbito individual.

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Assistente de Comunicação e Marketing na RME.

Rayany Madureira Profissional de Marketing