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Empreendedoras seguem lutando por crédito para seus negócios

Mulheres estão sendo mais vistas, mas ainda existem empecilhos para seu desenvolvimento social e financeiro 

 

A luta das mulheres por seus direitos civis, igualdade salarial, espaço no mercado de trabalho e visibilidade para suas carências nunca foi fácil e nunca parou. Por isso, no dia  Internacional da Igualdade da Mulher, 26 de agosto, é preciso relembrar a luta da mulher e suas conquistas, que já foram muitas, mas podem aumentar ainda mais.

 

Em 1962, ocorreu a revogação do inciso VII do Artigo 242 do Código Civil brasileiro de 1916, que reservava ao marido o direito de autorizar ou não a mulher a trabalhar, pois ele era o chefe da sociedade conjugal. No mesmo Código Civil, o artigo , inciso II, incapacitava a mulher que estivesse casada. Felizmente essas e outras situações foram revogadas no Código Civil de 2002. 

 

E mesmo com poucas leis que contemplam o empreendedorismo feminino, há programas espalhados pelo Brasil que o incentivam e que visam as pequenas empreendedoras que são donas dos mais diversos tipos de negócios. Entre eles está o Fundo Dona de Mim, iniciativa apoiada pela Rede Mulher Empreendedora, que oferece acesso a microcrédito para mulheres empreendedoras que queiram iniciar ou manter atividade produtiva. São R$ 3.000,00 para começar a pagar a partir do 5º mês em até 12 parcelas.

 

De qualquer forma, é fato que as mulheres estão se tornando progressivamente mais vistas diante o meio. A prova de que as empreendedoras estão ganhando visibilidade no Brasil veio através do Projeto de Lei 2589/21, que tramita na Câmara dos Deputados, prevendo a melhora na concessão de crédito, o desenvolvimento e independência das contempladas. Segundo Aline Rezende, advogada e CEO do app PouPay+, que oferece curso de finanças gratuito para suas usuárias, com a aprovação da lei, “a médio prazo, a fomentação do empreendedorismo feminino deve aumentar. A mulher vai ter maior acesso a informações que permitirão ela se formalizar, crescer, ter acesso a crédito diferenciado e aumentar o número de empregos para elas.”

 

Caso este projeto de lei seja aprovado em todas as suas fases de avaliação e entre num futuro próximo em vigor, histórias como a de Márcia Ferreira podem mudar. Participante do programa Digitalize Seu Negócio, a cabeleireira, trancista e influencer poderia finalmente conseguir crédito para aumentar ainda mais seu negócio. “Eu acho que políticas de incentivo são o que faltam para melhorar a nossa vida. Hoje eu tenho um nome na minha cidade e consigo parceiros, mas ainda assim nenhum crédito me é oferecido”, continua. Ela ainda relembra que aprendeu a organizar melhor suas finanças após as aulas que participou no programa, além de aumentar sua presença no Instagram, que acabou por atrair mais clientes. 

 

E para que mulheres possam escrever seus futuros repletos de informação e recursos que as ajudem a melhorar cada vez mais seus negócios, listamos três instrumentos que lhe devem ser oferecidos:

 

  1. Acesso à informação

Antes de abrir um negócio, a mulher precisa estar educada sobre o ramo que quer atuar, o tipo ideal de negócio que ela deve iniciar, para que ela possa gerar renda para si e para seu empreendimento. Para que isso seja possível:

 

  • Programas de políticas públicas com foco em empregabilidade, imagem pública, atendimento ao cliente e finanças devem ser criados;
  • Apoio governamental, principalmente financeiro, deve ser oferecido aos programas privados já existentes;
  • Cursos com foco em tecnologia e digitalização de negócios devem ser ofertados;
  • Plantão de dúvidas permanente.

 

  1. Investimento financeiro

Grande parte das mulheres que recorrem ao empreendedorismo estão passando por dificuldades financeiras e abrir um negócio próprio pode ser sua única saída. Mas para que ela tenha um retorno financeiro, primeiramente é preciso investir. Sua alternativa pode vir de um:

 

  • Capital Semente;
  • Investidor Anjo;
  • Fundos financeiros direcionados a mulheres em vulnerabilidade;
  • Crédito bancário.

 

  1. Inclusão no mercado

Mesmo que a mulher seja instruída e tenha seu negócio montado, é preciso que ela tenha abertura no mercado para que possa efetuar suas vendas ou oferecer seus serviços. Assim, se faz necessário que exista:

 

  • Políticas públicas de compra de pequenos negócios por grandes empresas;
  • Consolidação e exposição da rede de vendas entre mulheres;
  • Inclusão facilitada nos grandes marketplaces.

 

Por isso, a Rede Mulher Empreendedora segue lutando pela igualdade de gênero, pela voz e espaço da mulher através de programas, parcerias e patrocinadores que visam aumentar a presença feminina no mercado de trabalho para além dos empregos mais precários que lhe são ofertados. 

 

Conheça nossos programas, que estão com inscrições abertas, para participar de mentorias, cursos e editais que visam melhorar a qualidade dos serviços de empreendedoras:

 

Ela Segura – Nossas trilhas abordam empregabilidade, finanças, vendas e empreendedorismo de forma clara. O programa ainda oferece também materiais gratuitas para que você não tenha dúvidas. Com auxílio alimentício de R$110 por mês durante seis meses para 2500 mulheres e 160 negócios com aporte financeiro para as selecionadas pelo edital. 

 

RME Acelera – O programa projeto que seleciona empreendedoras donas de startups com alto potencial de crescimento. As 10 selecionadas receberão mentorias, participarão de encontros com investidores e muito mais. Inscrições até 30 de agosto.

 

 

Karina Souza Quenis é jornalista. Seu Trabalho de Conclusão de Curso foi uma pesquisa crítica acerca do olhar que a grande mídia tem sobre corpos femininos negros e as narrativas sobre eles construídas. Apaixonada por conhecimento e curiosa para entender mais sobre o mundo, segue estudando sobre comportamento, colorismo e mídia.

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