“Era como se a máscara fosse um remédio, uma salvação”

Organização de Pernambuco recebeu mais de três mil máscaras que foram distribuídas no município de Pedra

 

 

A Associação Rede Mulher – Rede de Desenvolvimento Social, Econômico e Cultural das Mulheres da Pedra, localizada em Pernambuco, surgiu em 2017 de um desejo de algumas mulheres em ajudar a população mais vulnerável da cidade. Algumas integrantes já faziam trabalho social ou voluntário e, pensando em levar essa assistência de forma mais organizada, decidiram agir juntas. 

 

 

Segundo Maria do Socorro, presidente da Associação, muitas mulheres da cidade são ainda muito dependentes de seus maridos, não têm fonte de renda e passam por diversas necessidades. Por isso, o trabalho também vai no sentido de gerar autoestima para que essas mulheres consigam se movimentar para terem mais autonomia. Palestras sobre empreendedorismo, saúde, cursos de pintura e cestas básicas são oferecidas periodicamente para as atendidas. 

 

 

Quando a pandemia começou, a organização passou a recolher doações nos mercados e padarias, com uma caixa identificada com a sua logomarca. Além disso, como uma das únicas organizações regularizadas da cidade, a Rede conseguiu receber alimentos que não iriam ser consumidos na merenda das escolas públicas, como leite, charque, flocos de milho, feijão e arroz. Mais de 100 cestas básicas foram distribuídas para a população.

 

 

A busca por parcerias por meio de editais fez com que Maria do Socorro achasse o projeto Heróis Usam Máscaras na internet. Ela, que já tinha feito o Ela Pode, um outro projeto do Instituto RME, em Recife, reconheceu o nome e entrou no site para fazer inscrição com o objetivo de receber uma parte das 11 milhões de máscaras produzidas, mas sem muita confiança de que iria conseguir a doação. “Quando chegou eu fiquei impressionada! Não achávamos que ia chegar uma ajuda de fora!” 

 

 

Foram 3.098 máscaras doadas para a instituição, que, segundo Maria do Socorro, ajudou bastante! A distribuição foi feita de casa em casa nos bairros do pequeno município. Uma parte foi repassada para lideranças dos bairros que poderiam abastecer as casas mais pobres conforme necessidade, também teve distribuição na fila das lotéricas, além de feiras livres. Maria do Socorro contou que até hoje leva máscaras na bolsa para doar nas ruas.

 

 

Foi uma doação importante porque a cidade tinha máscaras a venda, mas era muito caro e parte da população não conseguia adquirir aquele produto. Maria do Socorro citou o caso de uma idosa que tinha apenas uma máscara em casa, que ela ganhou do Centro do Idoso, mas que ao invés de utilizar para se proteger, ela guardava com cuidado para quando os filhos dela precisassem. “Era como se a máscara fosse um remédio, uma salvação, então ela deixou de usar, amarrou um pano no rosto e guardou aquela máscara para quando alguém da família precisasse.”, disse. 

 

 

“A gente se deparou com situações inusitadas. Teve uma casa onde era uma máscara só para todo mundo. Quando alguém ia sair, tirava do rosto de uma para colocar na outra. Foi terrível porque elas não tinham nem noção! Elas queriam se proteger, mas era uma máscara só para uma família inteira.”, explicou.

 

 

Maria do Socorro finalizou agradecendo e ressaltando que a Rede de Desenvolvimento Social, Econômico e Cultura das Mulheres da Pedra deseja continuar a parceria com o Instituto RME para beneficiar cada vez mais mulheres e suas famílias.

 

 

“O projeto Heróis Usam Máscaras é de fundamental importância para gerar renda para mulheres de todo Brasil. O projeto só foi possível por conta da vontade de várias organizações de fazer a diferença. Elas não mediram esforços para o propósito de promover autonomia financeira das mulheres. Sem dúvida, estamos muito felizes com o resultado e esperamos que mais organizações tenham essa visão que de que causas estão acima de marcas. A união é que realiza transformação social.”, completou Ana Fontes, fundadora do Instituto RME.

 

 

Sobre o Heróis Usam Máscaras

 

 

O projeto Heróis Usam Máscaras foi coordenado pelo Instituto RME e contou com a participação de 67 organizações da Sociedade Civil, que administraram o trabalho de 6.000 costureiras e costureiros, sendo que os homens representam 10%. 

 

 

Um dos objetivos do projeto foi a geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Costureiras que em outros locais recebiam apenas R$ 0,30 por máscara receberam em média R$ 1,52 por unidade produzida.

s;