“Foi um sonho realizado!”

Costureira do Rio Grande do Norte conta como o projeto Heróis Usam Máscaras a ajudou a instalar água em sua casa, ajudar os filhos e comprar mais equipamentos para trabalhar

 

 

Rita de Cassia de Medeiros Bezerra tem 60 anos, quatro filhos, um esposo e algumas máquinas de costura, que ela considera seus tesouros na terra. Ela nasceu em Campo Redondo, no interior do Rio Grande do Norte, mas desde os 9 anos vive em Currais Novos, no mesmo estado. Com muita dificuldade e um ensino médio completo, ela criou os quatro sozinha até se casar novamente com o atual esposo. 

 

 

Ela diz ter muitos projetos e uma vontade imensa de se sentir realizada com o seu trabalho. Por falta de recursos e de conhecimento sobre as oportunidades, ela confessa que perdeu algumas chances. No entanto, agora que ela se ligou a uma rede de mulheres do artesanato, vai conseguir divulgar seu trabalho de forma mais efetiva. 

 

 

Caprichosa, com gosto pelo trabalho, que ela acredita ser primordial, Cassia, como é chamada, conta que antes da pandemia ela tinha alguns clientes que iam na casa dela com suas demandas e voltavam para experimentar o resultado ou passar as medidas dos seus corpos. A partir de março, no entanto, esse cenário mudou drasticamente. 

 

 

“Quando aconteceu a pandemia, eu fiquei muito apavorada, eu passei três dias sofrendo muito e pensando na minha família, em primeiro lugar nos meus filhos, em como seria a situação deles para pagar conta, aluguel e despesas de casa. Eu não tenho nem palavras para descrever como eu fiquei arrasada. Eu sabia que eu não ia poder trabalhar mais recebendo os clientes aqui. Perdi clientes porque não tinha como receber para ver a roupa e provar. Nesse sentido eu sou muito detalhista. Às vezes a pessoa tem que dar prova umas três vezes. Eu gosto de fazer vendo como vai ficar.”, disse.

 

 

Alguns dias depois, Cassia foi indicada pela Dona Franceslina, ligada ao Centro de Artesanato da Associação das Bordadeiras, da qual ela é associada, para Adaildo, da ONG Agentes da Paz, que tinha sido selecionado pelo Instituto RME para executar o projeto na cidade. Segundo ela, Adaildo entrou em contato e perguntou se ela aceitava participar. Como ele é uma pessoa que ela confiava, ela aceitou sem perguntas por acreditar que não tinha como ser não ser uma coisa boa. 

 

 

Com o sim, ela começou a produção, com a ajuda de seu marido, de mais de 1600 máscaras. Os tecidos da primeira leva foram comprados por ela em uma loja, mas saíram caros. Depois Adaildo conseguiu pegar um tecido adequado, por um valor muito mais  acessível e que já iam cortados nos tamanhos corretos da máscara. 

Parte da produção de Cássia.

“Apesar de ter sido na pandemia, foi muito bom. Meu esposo, muito astucioso, me ajudou muito. Às vezes a gente tinha que ficar até mais tarde, ele virava as máscaras e cortava, me ajudou bastante”, explicou.

 

 

Cassia contou que a participação no projeto foi gratificante e que foi muito satisfatório receber o dinheiro assim que entregava a produção, além de saber que estava ajudando em uma boa causa. Com os resultados ela realizou sonhos e ajudou a família. “Eu comprei essa casa que eu moro há alguns anos dos meus irmãos e encontrei as contas de água atrasada. Eu tinha muita vontade de colocar essa água de volta e não encontrava um caminho. Com o projeto, paguei e consegui religar a água da minha casa. Foi um sonho realizado! Depois surgiu uma máquina industrial que eu nunca sonhei possuir. Me ajudou muito porque qualquer coisa que eu for fazer agora, eu tenho essa máquina industrial. Eu nem conseguia acreditar! Ela nova é muita cara, quase 5 mil reais, mas como eu adquiri de uma pessoa que eu conhecia, eu sabia que era boa, muito boa mesmo. Eu esqueci um pouco do sofrimento da pandemia.”, concluiu. 

 

 

Ela confessa que se não tivesse participado do projeto talvez estaria em uma depressão muito forte, principalmente por causa dos seus filhos. “Eu estava sem fazer nada, só ouvindo notícia ruim, sem poder ver meus filhos. A primeira coisa que eu fiz foi ajudar eles. Tenho um filho que é cantor que ficou muito prejudicado com tudo isso.”, explicou. 

 

 

Para o futuro, Cassia está esperançosa de que a pandemia vai passar e quer expandir seu trabalho. “Eu pretendo fazer o curso de corte e costura para ter mais segurança. Eu tenho o sonho de me realizar profissionalmente e divulgar o meu trabalho.”, disse. E ela agradece: “Esse projeto beneficiou muitas pessoas e ele veio para ONG Agentes da Paz por meio do Instituto Rede Mulher Empreendedora. Veio para as mãos de pessoas de muita responsabilidade, porque tudo foi feito com muito prestígio”.

 

 

“O projeto Heróis Usam Máscaras é de fundamental importância para gerar renda para mulheres de todo Brasil. O projeto só foi possível por conta da vontade de várias organizações de fazer a diferença. Elas não mediram esforços para o propósito de promover autonomia financeira das mulheres. Sem dúvida, estamos muito felizes com o resultado e esperamos que mais organizações tenham essa visão que de que causas estão acima de marcas. A união é que realiza transformação social.”, completou Ana Fontes, fundadora do Instituto RME.

 

 

Sobre o Heróis Usam Máscaras

 

 

O projeto Heróis Usam Máscaras foi coordenado pelo Instituto RME e contou com a participação de 67 organizações da Sociedade Civil, que administraram o trabalho de 6.000 costureiras e costureiros, sendo que os homens representam 10%. 

 

 

Um dos objetivos do projeto foi a geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Costureiras que em outros locais recebiam apenas R$ 0,30 por máscara receberam em média R$ 1,52 por unidade produzida.

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