“O Heróis Usam Máscaras calhou com o nosso propósito de gerar renda e ajudar mulheres a fugir do ciclo de violência”

Organização geriu a produção de 50 costureiras de São Paulo e do interior do estado

 

 

O Instituto Hera Artemisul, fundado em Interlagos, zona sul de São Paulo, do lado do Hospital Maternidade Interlagos, foi fundado pela empresária Lúcia Brugnera e pela assistente social Laurene Balbíchia, para oferecer atendimento psicológico, social e jurídico a mulheres vítimas de violência sexual, doméstica e intrafamiliar. O acolhimento foca ainda na prevenção e na oferta de capacitações gratuitas voltadas ao empreendedorismo e ao mercado de trabalho, além de construir pontes entre as mulheres e clientes ou empresas parceiras. 

 

 

Atuante também em outras regiões, como Itaim Paulista, Grajaú, Marsilac, Osasco, Parelheiros, Santo Amaro, entre outras localidades da Zona Sul e da Zona Leste, o Instituto empregava antes da pandemia mulheres para o projeto Fios de Berenice, que confecciona e doava perucas para mulheres em tratamento contra o câncer, alopécia ou escalpelamento. “Nossa ação consegue minimizar essa perda de confiança e tem impacto positivo também no tratamento, pois a paciente com autoestima elevada adere mais facilmente ao tratamento”, diz o site da Instituição.

 

 

A partir de março, a confecção de perucas continuou com toda segurança possível e em casa, no entanto, as outras atividades, como atendimentos com psicólogas voluntárias migrou para o ambiente virtual. Com os muito pedidos de ajuda, o Instituto se juntou a outras organizações, como a Prefeitura de São Paulo, para distribuir gratuitamente, entre outros produtos, marmitas, cestas básicas, álcool em gel e cobertores.

 

 

Foi no Grupo Mulheres do Brasil que Lúcia tomou conhecimento sobre o Heróis Usam Máscaras. Segundo ela, a participação no projeto ajudou muito a instituição e as 50 costureiras participantes, que puderam aplicar a renda adquirida no pagamento de contas e na compra de alimentos. 

 

 

“2020 foi muito triste, mas nós, como entidade, nos fortalecemos muito!”, disse referindo-se também às costureiras, que se ajudaram, incluindo mesmo pessoas que não sabiam costurar em etapas como passar e cortar os moldes para a confecção das máscaras. “Estou no social há mais de 30 anos e a gente vê que as pessoas mais simples são as que ajudam mais. Quem tinha máquina ajudava as vizinhas. Foi muito bacana!”, disse.

 

 

Lucia ia no Brás comprar tecido para levar nas casas das costureiras toda semana e buscava quando prontas, contava e embalava para o despacho. “Eu corri bastante! Fui de Osasco à Mooca, e até em Sorocaba, porque eu não podia negar, mas valeu a pena!”, explicou. 

 

 

As costureiras envolvidas pela Instituição trabalharam de casa por questões de segurança, mas também porque algumas delas não tinham sequer dinheiro para a condução ou com quem deixar seus filhos. “O Heróis Usam Máscaras calhou com o nosso propósito de gerar renda e ajudar mulheres e fugir do ciclo de violência, além de gerar autoestima”, disse. Mesmo com a finalização do Heróis Usam Máscaras, o Instituto continua a produção, desta vez, fazendo os itens personalizados para empresas para manter a renda das costureiras com dignidade.

 

 

“Eu não conhecia a Rede Mulher Empreendedora. Para mim, foi Deus que colocou vocês no nosso caminho. Nós enquanto instituição somos autossustentáveis, não temos grandes despesas, mas conseguimos ajudar a comunidade. Foi bárbaro! Deu um up, tanto que continuamos o projeto, não que nem era o Heróis Usam Máscaras, mas demos continuidade de uma maneira mais tímida, bem menor. Produzimos muitas máscaras. Foi maravilhoso!”, comemorou.

 

 

O plano do Instituto Hera Artemisul é crescer e atender cada vez mais mulheres! Lucia falou dos planos para capacitar mulheres para confeccionar perucas e gerar renda para suas vidas. Outro projeto é promover capacitação em informática e redes sociais, que se mostrou uma necessidade para muitas mulheres que, agora, encontram dificuldades para ajudar seus filhos a estudarem e para venderem seus produtos e/ou serviços.

 

 

“O meu sonho, um sonho, não um projeto, é montar uma cooperativa com essas costureiras na região Sul de São Paulo e ensinar o empreendedorismo. Elas sabem, tem capacidade e precisam de um empurrãozinho.”, finalizou.

 

 

“O projeto Heróis Usam Máscaras é de fundamental importância para gerar renda para mulheres de todo Brasil. O projeto só foi possível por conta da vontade de várias organizações de fazer a diferença. Elas não mediram esforços para o propósito de promover autonomia financeira das mulheres. Sem dúvida, estamos muito felizes com o resultado e esperamos que mais organizações tenham essa visão que de que causas estão acima de marcas. A união é que realiza transformação social.”, completou Ana Fontes, fundadora do Instituto RME.

 

 

Sobre o Heróis Usam Máscaras

 

 

O projeto Heróis Usam Máscaras foi coordenado pelo Instituto RME e contou com a participação de 67 organizações da Sociedade Civil, que administraram o trabalho de 6.000 costureiras e costureiros, sendo que os homens representam 10%. 

 

 

Um dos objetivos do projeto foi a geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Costureiras que em outros locais recebiam apenas R$ 0,30 por máscara receberam em média R$ 1,52 por unidade produzida.

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