RME é indicada pela OCDE como uma das principais instituições que contribuem para o empreendedorismo feminino no Brasil

*por Adriele Costa

 

 

Dentre suas atividades, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), organização internacional formada por 38 países membros que tem o objetivo de promover o desenvolvimento econômico internacional, promove estudos sobre diversos recortes econômicos, entre eles sobre pequenas e médias empresas. Neste sentido, a OCDE acaba de lançar o estudo “SME and Entrepreneurship Policy in Brazil 2020”, que traz uma análise sobre a situação das micro, pequenas e médias empresas no Brasil, e propostas de políticas públicas para apoiá-las.

 

 

O estudo aborda temáticas importantes como capacitação, financiamento, inovação, internacionalização e empreendedorismo feminino. Sobre este assunto, o relatório traz dados importantes: i) mulheres representam 31% do total da população empreendedora no Brasil, mas 47% dos empreendedores MEI, o que sugere que negócios liderados por mulheres são menores do que negócios liderados por homens; ii) outros estudos confirmam que negócios liderados por mulheres no Brasil são menos orientados ao crescimento, menos orientados à internacionalização, menos inovadores e menos lucrativos do que os negócios liderados por homens.

 

 

A partir destes dados, o relatório conclui que “o suporte às mulheres empreendedoras poderia ser aprimorado, especialmente através de programas que favorecem acesso a financiamento, desenvolvimento de habilidades e inovação.” O SEBRAE e a Rede Mulher Empreendedora (RME) são apontados como as duas instituições que mais contribuem para o empreendedorismo feminino no Brasil, mas cujo trabalho, apesar de notável, não é suficiente para fortalecer o empreendedorismo feminino em um país com a extensão territorial do Brasil.

 

 

Dentre as dificuldades existentes ao desenvolvimento do empreendedorismo feminino no país, o relatório aponta: i) o empreendedorismo feminino ainda não foi incorporado ao trabalho de outras organizações envolvidas em políticas de apoio ao empreendedorismo; ii) existe uma percepção comum de que iniciativas direcionadas para mulheres não são necessárias porque as mulheres têm oportunidades iguais em programas abertos a todos.

 

 

Mas o relatório traz argumentos para estes pontos: “Evidências internacionais sugerem que as políticas de apoio ao empreendedorismo alheias ao gênero não conseguem apoiar as mulheres no mesmo nível que os homens. Programas específicos para mulheres no campo de acesso a financiamento, capacitação, inovação e internacionalização podem ajudar a preencher esta lacuna ao focar em necessidades específicas às mulheres empreendedoras.”

 

 

Referência:

OECD (2020), SME and Entrepreneurship Policy in Brazil 2020, OECD Studies on SMEs and Entrepreneurship, OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/cc5feb81-en.

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