#Aceleradas2019 – Empreender é resolver uma dor

Juliana Martins, 24, criou o Fico com a Cria, empreendimento que conecta famílias a babás experientes e capacitadas. Ele está alinhado com quatro objetivos da ONU 2030, erradicação da pobreza, educação de qualidade, igualdade de gênero e diminuição das desigualdades. A empresa já atendeu mais de 50 famílias e ajudou mulheres a se posicionarem com destaque no mercado de trabalho, obterem renda e autonomia financeira, além de terem acesso a educação de qualidade por meio de cursos gratuitos ou com preços acessíveis à população carente como primeiros socorros e recreação.

 

 

A vontade de empreender de Juliana veio de muito cedo. Seus pais trabalhavam muito e, por conta disso, ela não conseguia enxergar o mercado de trabalho formal como algo bom, visto que tudo era muito desgastante os afastavam dela. Mesmo assim, ela começou a trabalhar aos 16 anos, mas nunca se adaptou por não conseguir colocar em práticas suas ideias ou se desenvolver naquele espaço. Seus pais tentaram empreender diversas vezes, tiveram banquinha de coco, cachorro quente, batata frita, mas não foram negócios que vingaram. 

 

 

“Eu tinha muita vontade de fazer acontecer, de criar um negócio para a minha família, tanto para que meus pais não precisassem trabalhar fora, tanto porque eu não gostava de trabalhar para os outros. Foi isso que me motivou a ser empreendedora”, disse.

 

 

Mas o dia D para empreender foi um dia que Juliana tinha deixado sua filha com uma amiga que morava há uma hora e meia de distância da sua casa para ir a um evento gratuito de três dias na Fundação Estudar. Ela só tinha conseguido babá para o primeiro dia e também não tinha dinheiro para voltar nos outros dois dias de capacitação. 

 

 

“Depois de todo trajeto que eu fiz com a minha filha pequenininha até em casa, subindo a rua da minha casa, eu me senti fraca demais. Eu lembro até hoje o momento em que eu estava e o que estava pensando. Não era possível que aquela dor fosse só minha. Eu ouvia muito nas palestras que empreender era resolver uma dor. Foi nesse dia que me deu um estalo e eu decidi que a minha missão ia ser ajudar que outras mães alcançassem os sonhos e objetivos delas.”, explicou. 

 

 

Assim nasceu a Fico com a Cria em 2018. Em 2019, o negócio foi um dos selecionados para participar do RME Acelera, programa semestral de aceleração da Rede Mulher Empreendedora que na última turma formou negócios como Diversão pra Gente, uma agência de viagens para o público 60+, Youth Climate Leaders, uma escola para jovens interessados em mudanças climáticas, Flora Fiora, loja que comercializa produtos naturais, e Minha Querida Sapatilha, que vende sapatilhas a preços acessíveis.

 

 

Juliana esperava estruturar melhor seu negócio e suprir um pouco da necessidade de um estudo superior na área de gestão de empresas. Também queria que o negócio fosse mais sustentável e viável. Segundo ela, o RME Acelera a ajudou no desenvolvimento do empreendimento. 

 

 

“O programa contribuiu demais para vários pontos que eu não conseguia enxergar sozinha. As mentorias me fizeram olhar para coisas que nunca tinham passado pela minha cabeça. Mudamos o público alvo, reestruturamos o preço e isso fez toda diferença.”, disse. “Pessoalmente também cresci muito e me conectei com pessoas incríveis. O networking foi muito amplo, fora todo conteúdo que recebi também, que no mercado são caros. Ter a oportunidade de participar de um programa que me proporcionou tudo isso gratuitamente foi muito gratificante! Não tem palavras de gratidão que paguem o benefício que tem quando a gente passa por um processo desses, as mudanças que são criadas a partir do processo e o quanto isso impacta totalmente na nossa vida. O meu negócio fatura mais por conta do que eu aprendi no RME Acelera.”, concluiu.

 

 

Hoje a Fico com a Cria trabalha com a maior população mundial de empregadas domésticas. O Brasil tem mais de 7 milhões de profissionais domésticos e boa parte está desempregada, principalmente por conta da burocracia. Por isso, as profissionais são compostas por mulheres negras, em sua maioria, de classe D ou E. 

 

 

“O impacto que a gente traz é que aquela mulher que não consegue sair do lugar por falta de qualificação e oportunidades, é conectada com famílias que procuram pelo nosso serviço. Essas famílias geralmente chamam a babá de novo e isso ajuda também ela a criar uma carteira de clientes fixos no mês. A gente vê o crescimento dessa mulher na nossa empresa, vê como ela entrou e as coisas que ela consegue realizar com a renda que ela consegue por meio da Fico com a Cria. Eu vejo muitas que usam o valor que ganham para pagar a faculdade de pedagogia, porque elas sonham em ser algo mais do que babás. Eu vejo também babá que usa o dinheiro para pagar aluguel, fazer algo em prol dos filhos.”, falou.

 

 

Juliana se diz orgulhosa por saber que por meio da sua empresa, ela consegue mudar a condição de vida de diversas mulheres, inclusive aquelas que por depender financeiramente de um homem, aguentam um relacionamento abusivo.

 

 

Tem a parte de qualificação também. Os cursos de babá, de primeiros socorros e recreação no mercado convencional são caros, entre R$ 800,00 e R$ 1.500,00. Essa mulher com renda mais baixa não tem condição de pagar. Por isso um curso que tem a mesma qualidade desses mais caros e está dentro da realidade dessa mulher é essencial, vira fonte de renda, impacta em sua vida, da família e da comunidade. “Muda tudo! E ela ajuda o rapaz do mercado, da farmácia, uma empreendedora que vende alguma coisa, toda comunidade mesmo.”, explicou Juliana.

 

 

Segundo Juliana, lidar com ela mesma, sair da zona de conforto e continuar persistindo são os maior desafio em sua jornada empreendedora. “Tudo o que eu preciso fazer, eu tenho que aprender e colocar em prática. Eu acho que o maior desafio é sair da zona de conforto, ultrapassar as minhas limitações, então ‘não sei’ não existe para mim, porque se eu não fizer não tem outra pessoa que vai fazer.”, disse.

 

 

Por isso, ir avante é meta! O maior sonho de Juliana para a Fico com a Cria é que ela consiga ter uma vida confortável e consiga proporcionar lazer para sua filha sem se preocupar com o que vai faltar. Também que seu negócio cresça e vire uma franquia que esteja em todos os estados do Brasil. “Eu sei que isso vai ajudar outras mulheres a ingressarem no mercado de trabalho com uma boa qualificação. Feito isso, quem sabe uma grande empresa compre a Fico com a Cria e ela vire um unicórnio? Eu sei que até lá vou ter que trabalhar bastante.”, finalizou.

s;