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Empreendedorismo: o Brasil que desafia a crise

*Por Marjorie Sapatel Battistella

 

A crise econômica que afeta o País desde 2015 não é motivo de inibição para os empreendedores brasileiros. Segundo pesquisa encomendada pelo Sebrae para a Global Entrepreneuership Monitor (GEM), o número de empresas abertas cresce todos os anos, atingindo 39,3% no início da recessão econômica.

 

Há 52 milhões de empreendedores no Brasil, ou seja, a cada cinco adultos, dois são donos de seu próprio negócio, sendo responsáveis pela estrondosa ampliação da arrecadação do Simples Nacional, cujos valores chegaram a R$ 83,809 bilhões em 2016. Mais do que modismo, empreender tem sido uma forma de função social que gera ocupação e renda para milhões de famílias. Vale destacar que as empresas com até 3,5 anos de atividade geraram, em sua totalidade, mais 6,5 milhões de novos empregos. 

 

O empreendedorismo por necessidade, causado pelo desemprego crescente, não é mais desculpa para levar os brasileiros a terem a sua própria empresa. Empreender por oportunidade é o que está atraindo milhões de pessoas a serem chefes de si mesmas. Ainda de acordo com o GEM, cerca de 62% dos brasileiros abriram suas empresas por encontrarem uma demanda de mercado.

 

O crescimento dessa modalidade de empreendedorismo está alicerçado na retomada do crescimento econômico. A recuperação do índice de empreendedorismo- a melhor desde 2014- mostra um resultado animador para a economia brasileira. O empreendedor por oportunidade está mais bem preparado para os desafios, pois se estruturou corretamente: conta com um plano de negócios e estudou seus concorrentes e sua área de atuação, tendo mais chances de se sobreviver ao mercado.

 

O Brasil é fruto dos pequenos e médios negócios. De acordo com o Sebrae, as micro e pequenas empresas criam cerca de 15 milhões de empregos, representam 98% dos estabelecimentos produtivos, geram cerca de 20% do PIB e respondem pela oferta de 60% dos empregos do País.

 

Para que o cenário brasileiro se torne ainda mais frutífero para o crescimento de micro e pequenas empresas, em diversas regiões do País, é mandatório destravar o ambiente de negócios, por meio de mudanças em políticas públicas. Redução da burocracia e simplificação tributária fazem parte dos itens emergenciais. É necessário facilitar o acesso a investimentos e inovação, permitindo um ambiente fértil de geração de negócios sólidos. 

 

O brasileiro tem o empreendedorismo na veia. E resiste bravamente às crises e mudanças do cenário econômico. Cabe ao governo entender que a mola propulsora do crescimento do País está dentro de nossa própria casa. A recuperação da confiança na economia gerará ainda mais empreendedores por oportunidade em diversas regiões do Brasil, criando uma rede de sustentabilidade criativa e geradora de valor- para o País e para as pessoas. 

 


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