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Brasileira, expatriada, mãe e empreendedora: as mil e uma funções da mulher

*Por Debora Pedroni Katunaric

 

Que nós, mulheres, podemos dar conta de mil tarefas ao mesmo tempo não é novidade, certo? Num mundo globalizado onde a concorrência entre homens e mulheres se acentua cada vez mais, ter papel de destaque no trabalho e negócios requer muita disciplina, competência e dedicação.

 

E quando a mulher se vê na situação em que precisa mudar de cidade, estado ou país? Seja por conta do trabalho do companheiro que recebeu uma melhor oferta de emprego, ou por uma oportunidade pra empreender num novo lugar, numa nova cultura? E como fica a família, casa, escola dos filhos, relacionamentos, o que fazer e como saber se realmente vale a pena naquele determinado momento da vida?

 

E como será essa adaptação a uma nova cultura, hábitos, língua, mitos e crenças? Como os filhos vão reagir a toda essa novidade que, num primeiro instante pode empolgar mas que, ao longo do tempo, pode acarretar problemas? Uma coisa eu acredito que seja extremamente necessária mencionar: seja pelo trabalho do marido ou pela vontade de mudra de vida e experimentar novos desafios, o mais importante é ter a convicção que, se ambos querem e veem como uma ótima oportunidade pra vida, por que não arriscar? Conhecimento de mundo e bagagem cultural nunca pesam na vida de ninguém. E baseado nessa temática, tenho um ótimo exemplo de mulher expatriada e empreendedora que agarrou com unhas e dentes a oportunidade que foi dada a sua família e se tornou uma grande empreendedora na área de Relações Públicas e Produção de Eventos no Panamá.

 

Ivone Rochido, de 38 anos, nascida em Minas Gerais, vive há 5 anos no Panamá com o marido(que é contador) e 2 filhos e no Brasil, trabalhava como técnica em uma clínica dentária. Em 2007, surge uma proposta do trabalho do marido para viver no Peru, e aí foi seu primeiro desafio como expatriada. Ficaram lá somente 6 meses e, achando que retornariam pro Brasil, receberam uma nova proposta, dessa vez pra viver na Venezuela, já que a mesma empresa precisava de um contador, e, mais uma vez, se viram tentados a continuar no exterior. E viveram na Venezuela durante 1 ano e meio. Mas o destino os surpreendeu mais uma vez, naquele mesmo ano, e foram transferidos para a Ilha da Madeira, no entanto lá moraram por apenas 1 ano. Foi quando, novamente, tiveram que regressar a Venezuela (Caracas), mesmo a contragosto, já que a vida na Europa era um sonho! Porém, por mais que toda essa adaptação e mudanças constantes tenham sido cansativas, a família conseguiu se adaptar aos costumes locais.

 

Mas tudo mudou quando a crise atingiu o país, com a morte do presidente Hugo Chavez. Violência nas ruas, escassez de alimentos e uma guerra civil iminente. E então, o que fazer numa situação dessas? Arriscar a segurança da família, voltar ao Brasil ou buscar novos horizontes e portas de entrada? Logo de cara, eles decidiram não voltar ao Brasil, e planejaram mais uma vez mudar de país. Foi aí que o Panamá entrou na vida da família, e Ivone viu uma grande oportunidade de empreender numa área nova e poder se reinventar no exterior.

 

 “Tem 5 anos que vivemos no Panamá, e aqui me encontrei. Trabalho com Relações Públicas e Marketing para uma revista local. Hoje, me sinto orgulhosa em afirmar que abri a minha empresa de eventos e faço Produção e Publicidade pra diversos estabelecimentos do país, e também para a Embaixada do Brasil. Toda essa mudança, adaptação a lugares novos, costumes, cultura…tudo isso foi inspirador e me permitiu saber o que eu queria pra mim, o que me movia e o que eu gostaria de abrir, mesmo estando no exterior.Uma frase que sempre gosto de usar é ‘A vida te colocará obstáculos, mas os limites, só você os coloca’. Tenho orgulho do trabalho que faço com amor, dedicação e receber feedback positivo dos clientes é minha maior satisfação.

 

Os medos e a insegurança sempre irão existir, mas correr atrás dos meus objetivos foi o que me manteve motivada durante todo esse tempo. Empreender é um desafio diário. E para aquelas que se encontram dando os primeiros passos na criação do seu próprio negócio, existe ainda a falta de experiência. E é por isso que reforço ser super importante aprender e estar aberta a ouvir pessoas com experiência ou que já passaram por tal situação.

 

            Sobre o fato de ser mãe e empreendedora fora do país, Ivone diz que “ a maternidade muda a vida de uma mulher, tanto no pessoal como no profissional. O fundamental é poder contar com uma rede de apoio (família, escola, creche). Isso facilitou muito meu início, e me ajuda até hoje.”

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