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“Clube da luta feminista” e a síndrome do impostor

*Por Dreyer – embaixadora RME no estado do Pará

 

No dia 29 de novembro de 2018 participei de um encontro de mulheres da cidade de Belém, PA – Brasil, onde o tema era “machismo no trabalho”. O encontro promovido pelas mulheres do Entre na Tenda e Política para Mulheres, abordou o livro “clube da luta feminista” onde várias mulheres participaram de forma ativa, algo admirável e confesso emocionante, porque comparando com os anos anteriores, mesmo nos ambientes para mulheres e de mulheres tanto a presença quanto participação eram muito tímidas. A emoção fica por conta da possibilidade de poder acompanhar essa evolução no debate e na postura feminina de norte a sul do país.

 

Alguns pontos levantados foram cirúrgicos para muitas ali presentes, como a forma de se lidar com questões tão arraigadas no comportamento da sociedade diante da mulher que, hoje, ocupa espaços no mercado de trabalho.

 

No estudo de Maturana, o qual serve como pano de fundo de todas as atividades do “Mulher, o que te impede?”, observamos o quanto a sociedade avança nos seus costumes de acordo com suas emoções. Assim, conseguimos comprovar a importância de termos consciência dos hábitos do nosso inconsciente coletivo para então exercermos mudanças reais e completas para a melhoria social de nossos ambientes atuais.

 

A questão principal a tratar na urgência desse debate é sabermos o quanto avançamos em algumas questões em detrimento de outras. Como por exemplo, embora a mulher hoje ocupe diversos ambientes de trabalho, desfrute de liberdade ou tenha como lutar por ela, não observamos um avanço no comportamento social diante dessa nova mulher. Assim, encontramos uma explicação para o desequilibrio social atual: onde a mulher ocupa diversos papéis e tem obrigações, ao mesmo tempo em que lidera os índices de problemas de saúde física e psicológica.

 

Para então caminharmos em direção a um equilíbrio até então desconhecido e criarmos uma sociedade saudável para o novo feminino, devemos ressignificar algumas características sociais. Precisamos de atitudes cirúrgicas, ambientes e palavras para abrir um novo caminho.

 

Eis Onde Jessica Bennett e Simone Campos, autoras do livro “Clube da luta feminista”, foram precisas e necessárias.

 

O livro serve como um tipo de tutorial para a #mulher identificar, prevenir e agir diante de atitudes que tendem a rotulá-la somente por seu gênero, colocando

 

em dúvida sua capacidade profissional de estar ali ou tentativas de cavalheirismo exagerado, para assim a mulher tenha consciência e saiba de que forma ela pode sim mudar o seu ambiente para focar somente no que deveria ser óbvio: sua capacidade e habilidade profissional.

 

Acontece que infelizmente o cenário de respeito e igualdade não existe de forma natural nos ambientes antes ocupados somente por homens, praticamente todos. E isso exige uma cuidadosa atenção para ação.

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde as mulheres lideram os índices de problemas psicológicos e muito se deve ao excesso de obrigações (e não escolhas) diante da sociedade. Um desses problemas ganhou destaque nos últimos anos e no final de 2017 para agora podemos observar em um avanço nas medidas de prevenção, identificação, tratamento e debates sobre a Síndrome do Impostor.

 

Vale salientar que, mesmo não se tratando de uma doença com diagnóstico psiquiátrico, ela é responsável por diversos sofrimentos psicológicos, principalmente de mulheres, e está diretamente ligada a autoconfiança e autoestima, onde pessoas com esse padrão mental costumam apresentar transtornos de ansiedade e/ou humor, o que gera a necessidade de tratamento psicológico e, muitas vezes, psiquiátrico, isso segundo a World Health Organization.

 

O Instituto de Homeopatia Kent, junto ao grupo de estudos psicológicos do país “MASI” confirmaram a necessidade de se olhar e indicaram também formas de tratamento. Um dos pontos destacados pelo estudo foi a maioria das pessoas estarem ligadas a atividades de criatividade, inovação, pois são áreas a todo custo indagadas de sua eficiência. E apesar desses ambientes ainda terem maior presença masculina, o maior número de pessoas afetadas por essa síndrome é de mulher.

 

O QUE É A SÍNDROME DO IMPOSTOR?

 

Segundo a psicóloga Ellen Hendriksen para a Scientific American, em 2015, trata-se de um sentimento generalizado de insegurança ou fraude, apesar da maioria das vezes essa pessoa tenha evidências contundentes do contrário, assim costuma atingir pessoas bem sucedidas, com notável inteligência. Vai além de simples insegurança.

 

Ellen afirma ainda que embora a síndrome não discrimine e afete pessoas de todos os grupos demográficos, a sensação de fraude atinge em sua maioria grupos de minorias e mulheres.

Tal constatação deve ser reflexo do comportamento do inconsciente coletivo, dito lá em cima, onde a sociedade não se acostumou a ter grupos de minorias (sem a detenção do poder de algo e foram dominados de alguma forma) e mulheres com algum tipo de poder, logo ao atingir esses lugares tais grupos acabam sendo alvo dessas dúvidas vindas de todo um histórico da sociedade.

 

IDENTIFICAR:

 

“Eu sou uma farsa”: o medo primário é de estar sendo descoberto ou desmascarado a qualquer momento ou passo novo dado. Em geral, as pessoas afetadas pela síndrome sentem como se tivessem enganado todos em segredo, mas chegará o dia em que a capa deles será explodida e eles serão revelados como uma farsa.

 

“Eu tive sorte.” : o segundo ponto da Síndrome do Impostor atribui conquistas à sorte. Frases comuns são: “eu não sou inteligente / talentosa / talentoso. Eu apenas trabalho duro.”

 

A frase “eu apenas trabalho duro” ou “só sou dedicada e leal” é especialmente comum entre as mulheres. Por exemplo, Inez é engenheira de software em uma empresa de tecnologia bem conhecida. Suas resenhas são estelares e ela foi promovida duas vezes desde que começou. Ela chega mais cedo do que qualquer outra pessoa em seu grupo masculino e fica até o zelador voltar para casa. “Eu não programei esse trabalho desde que eu tinha 14 anos como esses outros caras. Não nasci engenheira. Apenas dediquei minha vida para me manter firme no que desejava fazer.”, diz ela.

 

“A falsa modéstia”: na Síndrome do Impostor, os sofredores realmente não podem receber elogios que na hora procura subestimar a honra de merecê-lo. “Eu devo ter sido a única que se candidatou.”.

 

COMO ACONTECE?

 

1: Você é tão esperta!

 

O trabalho da doutora Carol Dweck, professora de psicologia em Stanford, e mentora do MINDSET esclarece um erro comum dos pais que costumam elogiar as crianças com rótulos como “você é tão esperta!” ou “Você é tão bonita!”

 

Esses rótulos, apesar de serem complementares, na verdade atrapalham as crianças. Pois implicam que não há um esforço a mais a ser feito. “Você é inteligente” é uma característica do tipo “você não tem ou nada precisa fazer”. Ou você é esperta ou não é, e não há nada que você possa fazer para alterar essa realidade.

 

Portanto, sempre que as crianças cometem um erro, questionam o rótulo de “inteligente”. “Se eu tenho um C desta vez, então talvez eu não seja inteligente afinal de contas? A mamãe deve estar errada.” Como resultado, essas expressões sufocam a disposição das crianças de experimentarem coisas novas, por medo de que elas possam provar que seu rótulo está errado. Isso estabelece um terreno fértil para a Síndrome do Impostor. Assim, o mindset fixo, emoções negativas a longo prazo levam a síndrome do impostor que por sua vez é caminho para doenças mais graves como depressão, ansiedade, síndrome do pânico.

 

Aqui vale destacar a importância da influência do Mindset de crescimento desde a infância. substitua expressões que rotulam por expressões que a façam entender que ela pode mais. Trocar inteligente por esforçada, por exemplo, é algo que a fará associar a sua conquista a dedicação que ela terá em algo que escolher. Um dos pontos de prevenção que ela terá quando alguém mostrar dúvida sobre sua capacidade em algo.

 

2: Uma dessas coisas não é como as outras.

 

Mulheres, minorias raciais ou indivíduos LGBTI+ podem se sentir como se estivessem vivendo um tipo de não pertencimento aquele lugar apesar das qualificações e realizações. Indivíduos que não “correspondem” a cultura majoritária de sua escola ou empresa vezes muitas se esforçam mais do que o necessário para se sentir parte. Eles podem sentir que não pertencem aquele lugar e por isso nessa realidade temos terreno fértil para a síndrome.

 

Navegar em águas desconhecidas sem um modelo ou mentor pode exacerbar esse tipo de síndrome do impostor. Por exemplo, ser o primeiro da família a frequentar uma faculdade ou ter uma carreira de colarinho branco é uma conquista pioneira, mas pode parecer uma imitação sem um guia experiente. Os empreendedores da primeira geração podem se sentir fora de sintonia tanto em casa como em seu novo ambiente.

 

Aqui vale lembrar da importância de termos consciência dos costumes do nosso inconsciente coletivo para então trabalharmos novas posturas diante dessas novas realidades. Evitando assim até causarmos, de forma inconsciente, a possibilidade da síndrome nascer em outra pessoa.

 

3: Os efeitos colaterais da meritocracia.

 

Grandes empreendedores são apenas grandes realizadores quando comparados com outros. Essas pessoas foram comparadas a outras pessoas ao longo de toda a sua vida – ganhando notas, ganhando honras, sendo selecionadas em faculdades, empregos. Primeiro, eles valorizam o processo de comparação porque fizeram bem com isso. Em segundo lugar, eles estão mais alertas para o processo. Consciência de ser avaliado e se importar profundamente com o resultado é uma mentalidade importante para o sucesso, mas quando sai pela culatra, estabelece uma base para se sentir como uma fraude.

 

Eis a importância de tirar o rótulo das conquistas desde a infância.

 

Há diversas formas e listas para combater a síndrome e se manter resguardada dessa possibilidade. Posso destacar as que mais me chamaram a atenção por gerar equilíbrio. A Scientific American, MUSE e Forbes, mesclam uma opinião coesa sobre o assunto que resumidamente podemos dizer que apesar de não ser uma doença de forma direta ainda, é um campo fértil e próximo de doenças que levam até a morte, como no caso da depressão.

 

Para manter a sanidade e continuar caminhando onde você escolheu de forma saudável psicologicamente é preciso ter na cabeceira da cama o livro de Jessica Bennett e Simone Campos: clube da luta feminista, na Saraiva está R$28,90 (promoção) e lembra de cadastrar e ativar o Méliuz para receber de volta 2,5% nessa aquisição pela Saraiva.

 

E também entender os conceitos por trás do inconsciente coletivo, a importância do mindset de crescimento, alimentar emoções positivas, deixar de lado a busca pelo perfeccionismo desumano imposto pela sociedade, ser super é uma questão de escolha e preferências pessoais e não de abraçar o mundo com as mãos, procure apoio seja com amigos ou mentores profissionais e mais do que qualquer coisa, guarde um pouco da síndrome do impostor para manter a humildade necessária que desperte em você a compaixão, empatia e sororidade feminina.

 

Afinal, o que te impede de ser a mão que outra mulher precisa para sair desse desespero pessoal que ela enfrenta sozinha em seu quarto?

 

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