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Papo Empreendedor

*Por Junia Nogueira de Sá

 

Na semana passada, falei aqui de como é importante organizar a rotina para conseguir ter mais tempo e, assim, menos estresse. Mas por que é tão importante (e difícil) para nós, mulheres, organizar a rotina?

 

A resposta é simples: porque nosso dia é muito mais cheio de compromissos que o dos homens. Eu diria até que o nosso dia é injustamente sobrecarregado. E isso está longe de ser mimimi. 

 

Quer a prova? Uma pesquisa recente do IBGE feita com brasileiros que trabalham fora mostrou que as mulheres têm uma jornada, em média, de 8 horas a mais por semana porque nos desdobramos: quando chegamos cansadas em casa, temos ainda que juntar forças para cuidar da família, dos filhos, dos idosos e, muitas vezes, até dos agregados. Comida, roupa, lição de casa, idas ao médico, ao supermercado, contas a pagar e mais uma porção de cuidados que são vistos como tarefas “femininas” entopem a nossa agenda.

 

É a tal da jornada dupla, às vezes tripla. Fazendo os cálculos, é como se tivéssemos quatro dias a mais de trabalho a cada mês, considerando a carga diária média no Brasil – e sem remuneração. 

 

Por isso, gerenciar o tempo é um desafio ainda maior para as mulheres do que para os homens. Se não nos organizamos direitinho, começando pela rotina, não sobra tempo para nós mesmas – para estudar, ler, fazer um curso, para o lazer ou simplesmente para não fazer nada, deixando que o ócio possa turbinar a criatividade, como diversos estudos mostram que acontece. 

 

Portanto, a organização da rotina passa também por uma divisão mais justa do trabalho dentro de casa, no cuidado com os filhos e com a família. E, necessariamente, pela capacidade de aprender a pedir ajuda, de propor essa divisão com todo mundo com quem dividimos também a casa, e de dizer “não”. 

 

Mas vamos por partes, porque nenhum manual de gerenciamento de tempo – geralmente escrito por homens e para homens – trata disso. 

 

Quando falo de pedir ajuda, é exatamente conseguir dividir com o companheiro, os filhos ou a família aquelas tarefas “femininas” de todos os dias. Porque se cada uma de nós continuar reproduzindo o que nos ensinaram desde meninas, ou seja, de que essas são nossas “obrigações”,  nunca vamos ter tempo suficiente para cuidar de nós mesmas e de coisas que queremos, como desenvolver uma carreira ou gerenciar um negócio próprio. E aí aparece a frustração…

 

Pedir ajuda, portanto, é algo pre precisamos aprender, e exercitar. Em tempo: nada vai ficar “tão bem feito” como você faz, outra bobagem que precisamos desaprender, mas será feito – e isso basta. Chega de pagar o preço de estar eternamente soterrada de coisas pra cumprir, sem tempo para nada e com todas as tarefas do universo concentradas nas suas costas porque você acha que é a única pessoa que consegue dar cabo delas, ok? 

 

Falando nisso, aliás, também é importante aprender a dizer “não”. Não posso agora, não consigo assumir essa responsabilidade, não tenho tempo para fazer isso… Quando aprendemos a pedir ajuda e a apontar aos outros, com cuidado e gentileza, as coisas que nos desagradam ou que simplesmente não vamos ter tempo para fazer, o tempo magicamente começa a se multiplicar – e a aparecer na nossa frente. Experimente! 

 

Em resumo: não existe uma supermulher. Que tal falar disso na semana que vem? 

 

Até lá, se tiver uma pergunta ou uma sugestão, mande pra mim (junia@rme.net.br) – vamos fazer esta conversa ficar ainda melhor!

 

*Jornalista, consultora de comunicação estratégica e membro do conselho de Rede Mulher Empreendedora, passou por redações de grandes veículos de imprensa, dirigiu a área institucional da VW, Telefônica, Grupo Abril e a Comunicação do Governo de SP. É especialista em reputação e imagem, gestão de marcas e liderança feminina.

 

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