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ELA PODE: uma voz que ecoa mulheres

*Por Daiany França

 

Se você é leitora assídua da Rede Mulher Empreendedora, certamente já ouviu falar do Ela Pode, o maior programa de capacitação de mulheres do Brasil. Realizado pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora, com o apoio do Google, o Ela Pode está empenhado em impactar positivamente a vida de 135 mil mulheres até dezembro de 2020. E, não menos importante, à frente de todo este trabalho está Ana Fontes, eleita pela Forbes como uma das “20 Mulheres Mais Poderosas do Brasil” em 2019; inspiração viva e presente de que sim, todas as mulheres podem ser o que decidirem ser.

 

E é sobre essas mulheres, as que têm descoberto o “poder de decisão sobre suas vidas e negócios”, que irei falar um pouco neste texto. Em cinco meses de projeto, já são mais de 5 mil mulheres impactadas e muitas histórias de transformação que estou tendo a felicidade de conhecer e agora compartilhar com vocês.

 

Para começo de conversa, é preciso destacar o belo trabalho das Multiplicadoras do Ela Pode, mulheres corajosas e com histórias de vida igualmente inspiradoras, que voluntariamente dedicam dezenas de horas por mês para a concretização do programa em 24 unidades federativas do país. Sem elas, esta missão não seria possível!

 

São muitas as mãos que constroem essa história: multiplicadoras, time interno, parceiros e apoiadores públicos e privados, estes últimos em mais de 260 ao redor do Brasil, provando que a força da colaboração pode provocar mudanças profundas (e necessárias) na nossa sociedade.

 

Agora sobre algumas histórias e impactos. O primeiro – e imediato – impacto identificado é o aumento da autoestima e autoconfiança das mulheres que participam das nossas capacitações. “Eu posso, você pode, ela pode, todas nós podemos!” é como um grito de guerra, a “conjugação do poder”, como diz a analista de projetos Adriele Costa, que faz o monitoramento e avaliação dos resultados do Ela Pode. Parece bobagem, e até seria, se não vivêssemos em uma sociedade que “vocifera” aos quatro quantos que as mulheres “não podem isso” e “não devem aquilo”. “Sexo frágil”, “submissão”, “trabalho de homem x trabalho de mulher” são alguns dos estereótipos de gênero ainda comuns hoje em dia, que acabam limitando o potencial das mulheres e enfraquecendo suas habilidades emocionais. É comum ouvirmos delas que foi no Ela Pode, que pela primeira vez ouviram de alguém “Você pode! Você é capaz!”. Mulheres com 25, 30, 45 anos, ouvindo pela primeira vez que elas podem empreender ou que podem ocupar cargos de liderança é muito sintomático da nossa sociedade machista e cruel com as mulheres. E, para não ficarmos somente nas palavras de incentivo, o programa ensina técnicas de “como fazer”. Na capacitação é possível aprender sobre liderança, comunicação, negociação, ferramentas digitais, finanças, marca pessoal e networking. Cursos que no mercado custam entre R$ 400,00 e R$ 900,00 (por módulo), mas que no Ela Pode são oferecidos gratuitamente.

 

Neste pouco tempo de projeto já conseguimos identificar impactos na renda das mulheres, que se lançam nos seus projetos de vida e superam ciclos, às vezes de dezenas de anos, de violência doméstica, como o caso da “Dona Borboleta” (vou chama-la assim, para preservar sua identidade), impactada de Tocantins, que depois de anos sofrendo violência física, moral e patrimonial do marido, conseguiu pedir a separação, viajou para a “cidade grande” para fazer curso na área de estética, retornou à sua cidade e agora está iniciando seu próprio negócio. São conquistas individuais que refletem em todo tecido social.

 

Eu poderia contar muitas histórias, reais e motivadoras, pois elas não faltam. Elas vêm de mulheres da cidade e do campo, de mulheres jovens, indígenas, reeducandas do sistema penitenciário, mulheres negras, trans, lésbicas, faveladas; MULHERES, no plural; que através do Ela Pode ecoam na sociedade suas vidas, trajetórias e aspirações.

 

Se você ainda não conhece o Ela Pode, este é um bom momento para conhecer. Aguardo sua visita no nosso site:www.elapode.com.br.

 

*Professora, gestora, empreendedora e consultora de projetos sociais e educacionais, atualmente coordena o Instituto Rede Mulher Empreendedora. Participa de iniciativas em defesa dos direitos humanos, pela igualdade de gênero e empoderamento das meninas e mulheres. Integra desde 2017, o Grupo Assessor da Sociedade Civil (GASC) da ONU Mulheres no Brasil. 

 


 

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