Mercado de venda direta surge como opção à crise

Diante das avaliações mais pessimistas da economia brasileira, com PIB em queda e emprego em baixa, o mercado de vendas diretas se apresenta como uma opção de renda para os empreendedores independentes e mais um importante canal de comercialização para as empresas.

 

O segmento de vendas diretas ou vendas por relacionamento gera renda para 4,1 milhões de pessoas no país, com faturamento de R$ 45,2 bilhões segundo pesquisa da ABEVD- Associação Brasileira das Empresas de Venda Direta. O Brasil ocupa a 6ª posição no mercado global de venda direta.

 

O setor mantém-se como meio importante para geração ou complementação de renda, respondendo por 40% do orçamento de famílias nos quatro cantos do país.

 

Por que funciona?

 

O grande segredo do “negócio” está na qualidade dos empreendedores independentes, que são estimulados pelas empresas por meio de políticas de remuneração cada vez mais atraentes, premiações, treinamentos, viagens,máquinas de cartões para revendedores, páginas personalizadas para eles nos sites das grandes corporações, entre outros benefícios.

 

Segundo Adriana Colloca, presidente executiva da ABEVD,o aumento da procura pela venda direta está fortemente influenciado pelo desemprego, que atinge mais de 13 milhões de brasileiros.

 

“As empresas de venda direta estão à procura de mais revendedores para ampliar seus negócios. Por este motivo, a ABEVD acaba de criar um banco de dados em seu site para cadastro de novos revendedores. Esse cadastro será acessado pelas principais empresas de venda direta no país”, destaca a presidente.

 

Perspectivas para o setor

 

O crescimento do setor está relacionado à adesão- cada vez maior- de empresas do varejo a este modelo de negócio. Associa-se ainda à diversificação de produtos. Além do tradicional mercado de cosméticos, a venda direta abriu o leque, oferecendo mercadorias na área de nutrição, produtos para casa, carro, saúde, alimentos e bebidas, moda, seguros, entre outros.

 

A venda direta cresce também porque aderiu ao uso de novas ferramentas digitais no relacionamento de revendedores com seus clientes. E porque consegue chegar onde o correio não chega, alcançando os rincões mais distantes do país. Muitos produtos chegam em barcos nos vilarejos mais distantes do Norte do país.

 

“E um dos fatos mais importantes é que o brasileiro compra de quem confia.Esse jeito brasileiro impulsiona vendas por relacionamento”, destaca Colloca.

 

Mudança de perfil

 

Atividade flexível, de baixo risco e sem barreiras de entrada tem atraído, cada vez mais, o público jovem. A idade média dos empreendedores diminuiu. Hoje 48% têm de 18 a 29 anos. E a escolaridade também melhorou: 53,1% dos empreendedores têm o ensino médio e 31,3% o superior.

 

Mercado antes dominado por mulheres, hoje os homens constituem 43,3% da força de vendas e as mulheres 56,7%.

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