/>

Da depressão ao empreendedorismo

*Por Leandra Matos

 

Há quatro anos, eu não tinha vontade de me olhar no espelho. Estava com vergonha de quem havia me tornado: uma mulher triste, cansada e dependente. Cheguei a esse ponto após perder a minha mãe e dar a luz a minha filha caçula num intervalo de menos de 30 dias. Quase no mesmo período, a minha outra filha de nove anos começou a ter baixo rendimento escolar e recebi o diagnóstico de déficit de atenção e distúrbio no processamento auditivo central. Foi um choque. Eu sabia que ela precisava de ajuda, mas era praticamente inviável manter, financeira e logisticamente, todas as terapias necessárias. O desafio era fazer com que ela melhorasse significativamente nas provas e não perdesse o ano letivo.

 

Esse cenário fez com que eu parasse de olhar para mim com sofrimento e me obrigou a reagir. Depois de pesquisar bastante, decidi, sozinha, fazer eu mesma as terapias e reforço escolar de que ela precisava. Em poucos meses, com muito esforço, começaram a surgir resultados bastante positivos. Algumas vizinhas perceberam a minha dedicação e acabaram pedindo ajuda para os respectivos filhos. Logo a propaganda boca a boca fez com que novas mães me procurassem também. Daí surgiu a ideia de que eu poderia auxiliar outras pessoas na mesma situação e fazer disso um negócio no qual eu teria tempo para cuidar das minhas filhas.

 

No início foi bem difícil encontrar apoio e um caminho para percorrer. Não sabia como fazer para alcançar meus objetivos, não sabia como fazer o site, como e onde divulgar o trabalho, como captar clientes e lidar com a concorrência ou cobrar por meu trabalho.

 

Mas não me abati! Primeiro comecei a fazer tudo por conta, os poucos fui procurando mais informações e comecei estudar ainda mais sobre assuntos ligados a minha área, ao empreendedorismo e ao marketing digital. Afinal, era necessário pesquisar a melhor maneira de manter e divulgar o meu trabalho.

 

Hoje, acompanho crianças e adultos na trilha da aprendizagem. Em especial, aqueles com dificuldades e transtornos. Além do suporte didático, faço com que enxerguem o próprio potencial. A melhora na autoestima tem grande impacto no desempenho escolar. O curioso é que também passei a ajudar as mães. Estimulo que identifiquem seus pontos fortes, que iniciem uma atividade ou negócio de crescimento pessoal e profissional. Em paralelo, ministro palestras sobre educação, aprendizagem e relacionamento pais e filhos. Faço o que amo, estou perto das minhas filhas e ainda auxilio outras pessoas a extraírem o melhor de si.

 

*mãe da Sofia, 12 anos; e Alice, 6 anos. Pedagoga, neuropsicopedagoga e especialista em dificuldade e transtorno de aprendizagem.

s;