Mulheres contam como começaram sua carreira na tecnologia

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Este mês ocorre mais uma edição do Startup Weekend Women, que busca incentivar a presença feminina no empreendedorismo
 
De acordo com recente estudo Woman in Tech, realizado em 2018, mulheres nascidas depois de 1983 estão 33% mais pré dispostas a estudarem ciência da computação. Apesar do número mostrar uma tendência à diversidade no setor, a realidade ainda não é essa: segundo a ONU, apenas 25% da força de trabalho na indústria digital é feminina. Iniciativas que fomentam o empreendedorismo, como o Startup Weekend, estão trabalhando para mudar essa realidade e abrir caminhos para presença feminina na tecnologia.
 

O Startup Weekend é uma maratona para a criação de startups e está com inscrições abertas para edição de Florianópolis. Os participantes devem desenvolver do zero um produto em apenas 54 horas. “O Startup Weekend é a porta de entrada de muitas pessoas para o empreendedorismo. No evento desmistificamos a criação de uma startup e aplicamos metodologias ágeis. Com o tempo percebemos que o número de homens que participavam da iniciativa era muito superior ao  de mulheres e por isso que criar uma edição para o público feminino é um passo tão importante”, comenta Alexandre Souza, gestor do programa de fomento ao empreendedorismo, Startup SC, uma iniciativa do Sebrae/SC que apoia a realização do evento. As inscrições seguem até a data do evento e podem ser realizadas neste link: http://bit.ly/swfloripawomen2018

 

Conheça histórias de mulheres que desbravaram o setor tech e descubra como elas começaram suas carreiras:

 

Uma desenvolvedora movida pelo desejo de atuar na área técnica
 

Rosana Demetrio Angelo Branas é formada em Ciências da computação pela UFSC e atua há 17 anos na área de desenvolvimento de software. A programadora começou sua carreira na Dígitro Tecnologia — empresa que há mais de 40 anos desenvolve soluções para os segmentos de inteligência e comunicação corporativa — e segue trabalhando há 17 anos na mesma empresa. “Iniciei na Dígitro em um estágio em programação há bastante tempo e evolui a minha carreira como desenvolvedora. Também fui analista de sistemas, gerenciei projetos e cheguei, inclusive, a atuar na gestão funcional de equipes e desenvolvimento. Há dois anos eu decidi voltar a assumir a posição de analista de sistemas e desenvolvedora junto de uma de nossas equipes”, detalha. Ela explica, ainda, porque escolheu atuar profissionalmente no segmento de tecnologia. “Escolhi essa carreira no final dos anos 1990 porque queria  trabalhar na área técnica e, dentre os cursos que eu analisei, optei pela computação. Foi uma decisão bem acertada. Obviamente, no início não foi fácil, mas consegui superar as dificuldades e me desenvolver, de modo que hoje me sinto uma profissional super qualificada. Gosto muito do que eu faço”, ressalta. Atualmente, ao lado de Rosana, 125 mulheres compõem o quadro de funcionários, 16 ocupam cargos de gestão e 21 são desenvolvedoras ou ocupam cargos mais complexos no departamento com foco em tecnologia.
 

Uma designer em busca de propósito
 

Cibele Ribeiro atua como UX/UI designer na Cheesecake Labs, empresa que desenvolve aplicativos web e mobile e onde o espaço feminino é ocupado em todas as instâncias — desde áreas técnicas a de gestão, de estagiária a diretora.  Ela fala que seus “combustíveis” favoritos na profissão são propósito, criatividade e inovação “Cresci em um ambiente tecnológico através do meu pai, que aos meus 8 anos de idade decidiu empreender na área de desenvolvimento de sistemas para gerenciamento de pessoas. Depois da escola, dizia que eu “trabalhava” lá, adorava ver linhas de código sem entender nada. Aos 15, tentei empreender com ele, por brincadeira. Criamos a “Clean Shoes”, um serviço de sapataria de condomínios. Preparamos tudo, pensamos no serviço, mas esquecemos que alguém teria que fazer o trabalho duro. Eram um conjunto de peças a serem montadas futuramente no meu quebra-cabeça mental”, conta Cibele.

 

Frustrada,  aos 17 entrou  na faculdade de nutrição mas ao fim de dois anos desistiu. Sem pretensões, começou a fazer alguns cursos livres de design, animação e programação e aos poucos todas as peças começavam a se encaixar e as experiências anteriores de empreendedorismo e anseios pessoais fizeram sentido. “Decidi fazer uma faculdade de Comunicação Web em 2007, onde comecei a relacionar negócio, tecnologia e experiência do usuário. Claro, não foi fácil e simples (e ainda não é) encontrar lugares em que eu me encaixasse e exercesse meus pilares, mas procuro ajudar pessoas e empresas todos os dias a também encontrarem propósito, criatividade e inovação através da tecnologia, e isso me motiva”, finaliza Cibele.
 

Uma RH que virou Talent Experience
 

Cibele Stefani Rodrigues é uma profissional com passagem em grandes players do mercado tradicional, como o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e que trocou o varejo para trabalhar no mercado de tecnologia catarinense. Quando a startup Decora foi adquirida em março de 2018 pelo grupo norte-americano CreativeDrive, tornando-se seu centro global de tecnologia, entre as várias mudanças que foram estabelecidas dentro da nova empresa estava o setor de Recursos Humanos. O cargo de gestão que lidera a área recebeu uma nova nomenclatura: TX — Talent Experience. A empresa designou uma mulher para ocupá-lo: Cibele. “Toda a minha carreira na área de Recursos Humanos estava pautada no terceiro setor, seguida de uma experiência longa no varejo. O setor de tecnologia era algo que me instigava muito. Recebi o convite para vir trabalhar na CreativeDrive, para que eu pudesse trazer minha expertise corporativa aplicada no varejo e adaptá-la na tecnologia”, conta Cibele que detalha, ainda, os desafios de gestores de RH no segmento. “É um mercado superaquecido, que paga muito bem. Como RH, temos um desafio gigantesco de, primeiro, atrair: fazer com que a nossa empresa seja uma marca de valor e que as pessoas queiram trabalhar. Outro é a retenção. Uma vez que eu conseguimos atrair o talento, mantê-lo motivado, bem remunerado, para que não saia para outra oferta marca empregadora é desafiador”, afirma.
 

Cibele será uma das mentoras do SW Mulheres e detalha, ainda, os desafios das mulheres no empreendedorismo e na vida: a gestão do tempo. “Devemos valorizar as mulheres não apenas no quesito remuneração, mas também entender os desafios de ser mulher empreendedora e gestora. Muitas vezes, possuímos uma dupla jornada e precisamos equilibrar a carreira e a vida pessoal. É papel das organizações oferecer ferramentas que possam nos empoderar, permitindo que façamos uma melhor gestão do tempo para conquistar nossos sonhos”, explica Cibele.
 

Porque representatividade importa
 

Giovanna Fagundes tem apenas 16 anos e já percebeu como o mundo da tecnologia é masculino. A jovem participou do curso Aprendendo a Programar, uma iniciativa da ONG CPDI, que ensina adolescentes a linguagem da programação. Ela conta que nunca viu uma menina se interessar pelo tema, mas mesmo assim decidiu fazer o curso porque ama games. “Eu me senti meio sozinha por ter tão poucas meninas e me senti como se essa coisa de programação fosse só pra meninos, mas também me senti bem vendo que eu fazia parte de um pequeno grupo de garotas que resolveu arriscar e tentar participar.”, conta a estudante, “Acho que as outras garotas deveriam se arriscar nisso também, a gente também pode fazer coisas super legais”, finaliza.
 

Viviane Soares, da área de treinamento técnico e comportamental da HostGator, um dos principais provedores de hospedagem de sites do mundo, dá o exemplo. A profissional sempre teve afinidade com tecnologia. Mas, para conseguir ingressar na área, ela precisou enfrentar alguns desafios. “Sempre gostei de lógica e complexidades, então, procurei ignorar qualquer fala do tipo: ‘você tem certeza que sabe isso?’”, destaca. No dia a dia, ela acredita que mulheres precisam continuamente comprovar sua competência e lidar com eventuais comentários machistas. “Existem dois fatores que infelizmente passamos. O primeiro é a necessidade de provar seu valor, no sentido de ter o seu conhecimento e sua competência questionados. Você tem sempre que provar que sabe, com muito mais conhecimento que um homem. Se um homem fala que entende de tal assunto ninguém questiona, mas se uma mulher fala… Aí é uma pergunta atrás da outra. O segundo fator é ter que suportar as piadinhas de péssimo gosto, por ser uma mulher na área”. Para as mulheres que decidem desbravar o setor, a maior representatividade passa, então, por uma quebra de paradigmas. “Devemos entender que culturalmente, nas áreas técnicas, bloqueamos mulheres e exaltamos homens, isso precisa ser mudado”, destaca Viviane.
 

Fonte: Divulgação

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