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Qual o papel do homem na promoção da equidade de gênero?

* Por Daniele Botaro, líder de Diversidade e Inclusão da Oracle para América Latina 

 

Essa foi a minha terceira participação no Fórum Empreendedoras da Rede Mulher Empreendedora (RME) e a sensação é sempre a mesma: arrepiante! Este ano foi a primeira vez que participei como mediadora de um painel.

 

Como o painel era composto somente por homens, aproveitei para falar de movimentos nas redes sociais, como o movimento liderado pela Neivia Justa, chamado #ondeestãoasmulheres. Esse movimento, que tem homens como adeptos, critica justamente a falta de mulheres em painéis de discussão em eventos, principalmente sobre negócios. Os convidados Alexandre Pellaes, João Paulo Pacífico, Nando Costa e Guilherme Valadares subiram ao palco e antes mesmo da apresentação de cada um fiz questão de ressaltar que queria começar o painel com uma pergunta que todas as mulheres que alcançaram posições de liderança ou são líder de seus próprios negócios costumam ouvir: Como você concilia a carreira e vida pessoal?

 

Foram minutos de silêncio. Ninguém está preparado para responder isso, principalmente os homens. Os quatro convidados ficaram passando a batata quente um para o outro até que todos concordaram e reforçaram que essa pergunta não deve ser feita em espaços de discussão de negócios, nem para mulheres e nem para homens. Foi uma situação bastante icônica. No caso das mulheres, uma pergunta dessas ainda reforça a imagem de que elas são responsáveis em cuidar não apenas da própria vida pessoal e profissional, mas também familiar, das tarefas da casa e dos filhos.

 

Cada um dos convidados contou um pouco da sua atuação como embaixador e aliado da igualdade de gênero e qual o impacto disso em suas vidas. Nando Costa ressaltou o papel como educador do seu filho e contou que muitas vezes ele faz um papel socialmente classificado como o de esposa, pois, consegue estar mais em casa do que a esposa, que tem uma carreira que demanda mais tempo fora. Já Guilherme falou do seu trabalho com o Papo de Homem e recomendou a todos que assistam o documentário “Precisamos falar com os homens?”, feito em parceria com a ONU Mulheres e disponível gratuitamente no YouTube.

 

João Paulo ressaltou a importância de manter um canal aberto com os funcionários da sua empresa, pois a partir daí é possível entender quais são as demandas, principalmente dos grupos chamados minoritários. Ele inclusive compartilhou que depois da implementação dessas conversas ele pode perceber, por exemplo, funcionários homossexuais se expressando mais abertamente sobre suas famílias e seus companheiros do que antes.

 

Falamos também sobre como os indivíduos podem fazer ações independente das suas empresas e do contexto em que estão inseridos. Alexandre Pellaes, pai de trigêmeos, reforçou que as ações começam com pequenas ações diárias. Ele deu um exemplo simples e que considera muito importante: os pais passarem protetor solar nos filhos, tarefa que geralmente fica a cargo da esposa. Ele ressaltou que são essas mensagens sutis que influenciam outros homens.

 

Encerramos o painel ressaltando a importância de todos levarem a diante a mensagem de que os homens também possuem um papel importante na equidade de gênero e que a a transformação é possível, basta que todos mudem seus comportamentos, mulheres e homens.

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