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Os profissionais remotos “invadiram” meu espaço, e agora?

Por Valéria Vicenti
 
Nos dias de hoje, distribuídos por vários pontos pelo mundo, encontramos cafés e restaurantes, lotados, sem uma mesinha sequer disponível, tomados por uma nova geração de clientes: os do trabalho remoto, ou “home office”, como preferir. Eles visitam os locais para uma xícara de café e por lá permanecem quase todo o dia, entre uma reunião e outra, um e-mail e outro, uma vídeo conferência etc, muitos sem consumir nadinha, a não ser uma pequena xícara de café. O que fazer?
 
Afastá-los? Humm… vamos refletir mais um pouquinho antes desta resposta que pode valer um milhão! Sou apaixonada por clientes. Lembrando o ditado popular “eles que pagam nossos salários”, assim, buscaria um caminho que os aproximassem dentro do contexto ganha-ganha: você utiliza meu espaço e eu ganho com seu consumo, assim, fica justo e agrada a todos. Você me olha agora com aquela cara de interrogação, pensando: “Ok! Mas como fazer isso?”
 

Vamos elencar alguns caminhos que podem surgir, por meio de rodadas de bate-papos, de cafés empreendedores sobre o assunto, com amigos e parceiros:
 
1. Seus atendentes precisam se aproximar dos clientes remotos e conhecê-los, seus hábitos e costumes. Provavelmente o cardápio do cliente remoto se repete, assim, sejamos simpáticos e com uma determinada frequência seguimos a mesa para oferecê-lo o que mais aprecia. Vamos considerar que temos uma oportunidade neste caso, pois o profissional pode estar tão envolvido em sua reunião, em seu e-mail, que por horas esquece até mesmo de beber água. Então, vamos lembrá-lo, não perguntando, mas levando à mesa o potencial produto de seu desejo. Fresquinho, quentinho, pronto para ser consumido, sabe aquele que dá água na boca? Sim, esse mesmo.
 

2. Conhecendo os hábitos e horários, temos a oportunidade de oferecermos serviços extras, como por exemplo, lanches para o almoço ou para o jantar. Algo que possa ser preparado para consumo no local ou para levar, que facilite a vida, combine com seu ambiente e com a linguagem do cliente. Certamente ele se apaixonará. Este cliente busca praticidade, facilidade, baixo custo e agilidade. Um novo produto, um novo serviço que atenda essa demanda, pode ser mais um tiro certeiro.
 

3. Compras antecipadas. No mundo, encontramos grandes marcas que, para incentivar o consumo, desses clientes, promove o benefício das vendas antecipadas. Como funciona? Você antecipa a venda de lotes do produto, por exemplo, uma cartela correspondente a 10 a 15 xícaras de café, com benefício que não te prejudique, compre 10, ganha 11, compre 10 e ganha desconto etc, e assim, facilitará o consumo por praticidade, por já estar pago. Pode incentivar seu cliente a compartilhar a promoção, e se um novo cliente comprar a cartela por indicação, o mesmo ganha um desconto; ou ele mesmo quando adquirir sua segunda cartela ganha um novo benefício: ao invés de 11 xícaras, ganha 12 … e assim, vai se criando um novo conceito e pratica de vendas.
 

4. Controlar o uso do Wifi e suas necessidades tecnológicas. Sabemos que muitos não contam mais com o wifi livre pelos pacotes oferecidos pelas operadoras, mas um controle do wifi por tempo seria um passo
para pegar um parcela de usuários. O controle poderia ser por período, de período por período o cliente precisaria solicitar uma nova senha do wifii, que pode estar no balcão de atendimento, muitos locais disponibilizam a senha no rodapé da nota fiscal, tendo assim, que ocorrer a nova compra. O objetivo é
despertá-lo ao novo consumo por ter que interagir com os funcionários, e os mesmos, como grandes vendedores, aproveitar a oportunidade.
 

5. Acabou a bateria do celular, do lap top, e agora? Cobre pelo serviço prestado. Sim, nada é de graça nesta vida, se o cliente não paga, quem paga é o dono do negócio, então por serviço oferecido devemos cobrar. Encontramos pelo mundo caixas de baterias próprias para esse evento, você segue até o balcão e
com pagamento recebe uma bateria que carregará seu equipamento. De novo o oportunidade de se comunicar e compartilhar gastos.
 

6. Dependendo das possibilidades oferecidas pelo tamanho e layout do bar ou restaurante, definir uma área específica para o uso desta categoria de clientes, mantendo a casa disponível para o acesso importante dos clientes do dia-a-dia.
 

Fica dica, mas sempre ressalto: tudo é relativo! Podemos ter como premissa, por missão e propósito do nosso negócio não concordar, não aceitar ou dar espaço a esse profissional. Certo? Errado? De novo, relativo. Mais do que isso, esteja atenta à adaptação. Quanto mais flexível, mais opções poderá ter no futuro.
 

Valéria Vicenti é embaixadora Rede Mulheres Empreendedoras (RME) na China, Correspondente e Mentora do clube fechado curitibano, Clube da Alice. Engenheira, mais de 20 anos de experiência executiva em gestão de pessoas e processo. Entusiasta por empreendedorismo e pela disseminação do conhecimento, feliz por estar tendo a grande oportunidade de aprender com a beleza e história da arte e cultura de um pais que não dorme, não para, que nos encanta, que cresce e inova a todo o instante.

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