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Meu caderno de lições: o que aprendi empreendendo até aqui

Por Helenn Schazmann, vencedora do concurso “Você na RME”
 
Acredito que tudo tenha começado quando eu tinha uns 10 anos, estava de férias da escola e meus pais me deixaram “trabalhar” na joalheria de uns amigos. Foi a minha primeira experiência com o mundo empresarial, ganhei um anel de prata como pagamento, e aquilo para mim foi sensacional, eu era uma criança, mas valeu a pena, pois aprendi minha primeira lição: podemos conquistar as coisas.
 
Um bom tempo depois, já no começo da faculdade, eu convenci meus pais a comprarem uma franquia, se arrependimento matasse, foi o primeiro balde de água fria. Mas, pega o caderninho e anota a lição: nunca entre num negócio sem conhecê-lo antes, sem falar com quem já está no ramo, sem entender do negócio, ou sem fazer qualquer curso de como saber administrar isso. Enfim, isso foi superado, e ficou a lição.
 
Depois desse episódio tive que mudar de cidade para conseguir concluir a faculdade. A princípio era para morar com minha avó paterna e a exigência que meus pais fizeram era de “estudar”, apenas. Um dia, vi no mural da faculdade uma vaga de assistente administrativo de uma agroindústria, e disse: essa vaga é minha! Lembro que até arranquei a vaga do mural, nesse dia aprendi uma grande lição: acreditar é metade do caminho. Porém, um dos requisitos da vaga era ter habilidades com Excel. E eu não tinha nenhuma. Mas tinha o tempo a meu favor, fui à biblioteca da faculdade e peguei todos os livros que encontrei sobre Excel. E vocês não vão acreditar, eu fui aprovada no processo seletivo graças ao Excel, a lição? Todo esforço com objetivo vale a pena.
 
E assim começou minha trajetória no mundo corporativo, foi meu primeiro emprego com carteira assinada. Fiquei nesta empresa por 7 anos, comecei numa filial com 100 funcionários, permaneci na empresa quando essa unidade fechou e demitiu praticamente 98% do quadro de funcionários, o conhecimento técnico que adquiri nesse tempo contou muito para que eu ficasse, e por esse motivo trabalhei em outras 5 filiais até chegar na matriz, no departamento corporativo de recursos humanos para cuidar da área de benefícios a empregados de mais de 13 mil pessoas. Lá aprendi outra lição: Para um negócio dar certo é essencial ter planejamento, organização, metas, orçamento estabelecido, controle.
 
Nesse período me formei na faculdade, fiz um MBA na área e não parei de estudar inglês, sempre tive em mente a importância de ampliar meu conhecimento, ser a autora da minha carreira, não esperar que apenas os outros me proporcionassem isso. Mas tinha uma coisa que sempre que me incomodava, será que seria só isso? Aposentar-me trabalhando na mesma empresa, e me empenhar para produzir resultado para outras pessoas?
 
Saí da empresa no final de 2013 e pensei: e agora, o que eu vou fazer? Continuar fazendo a mesma coisa? Dá para fazer algo diferente? E lembrei-me de um sonho que eu tinha, que era fazer um intercâmbio. E depois do incentivo de algumas pessoas próximas, pensei, por que não? Peguei minhas coisas e fui pra Nova Zelândia, sozinha e falando um inglês meia boca. E posso dizer, foi uma das melhores decisões que já tomei na vida. Nessa experiência aprendi algumas lições: – Nunca é tarde para ir em busca dos seus sonhos. – Muitas vezes é o medo que te limita. – Pessoas continuam sendo pessoas independentemente do idioma que falem. – Se eu consigo cativar as pessoas sem falar a língua delas, imagine o que eu poderia fazer falando.
 
Voltei da Nova Zelândia motivada a ter meu próprio negócio, percebi que empreendendo, seria a autora da minha história, não digo que seria mais fácil, mas eu estaria no comando. Ainda com um pezinho na estabilidade, fui administrar um empreendimento familiar, e ao mesmo tempo desenvolver um negócio paralelo na área de cerimoniais para eventos. Fiz cartões de visita, comecei a divulgar, e em menos de 30 dias tinha fechado com o primeiro cliente. Realizei o trabalho, fiz o encerramento, contabilizei tudo, tive retorno do investimento, porém aprendi outra lição: Às vezes aquilo que você acha que é bom, muitas vezes não é bom para você.
 
Então, abri mão da ideia e me dediquei a empresa da minha família por 2 anos, que não era mais a franquia, agora era uma loja de variedades. Novamente aprendi alguma coisa: Quando se trabalha em uma empresa familiar, é preciso ter os papéis e responsabilidades bem definidos. Fiquei com eles até que surgiu uma oportunidade de empreender num ramo que sempre me chamou atenção, e que eu já tinha certa expertise.
 
A oportunidade era para me tornar Corretora Autônoma de Seguros de Vida e Previdência. Tinha toda uma formação a ser feita, e um dos requisitos era ter rede de relacionamento. Pensei, e agora, será que conheço tanta gente assim? Nessa hora aprendi a importância de: cultivar seus relacionamentos, convidar as pessoas próximas a você para tomar um café, trocar experiências, lembrar dos aniversários. Você cresce muito com isso. Será que deixo a segurança de um empreendimento familiar, pra ir atrás de uma ideia sem carteira assinada, onde minha única garantia era R$ 500,00 por mês, por 3 meses de ajuda de custo, mas a promessa era de ganhos ilimitados? Lição aprendida: Arrisque. Se não for como o esperado, recomece.
 
Hoje, após 2 anos empreendendo, e neste período “aprendendo”, cheguei a duvidar da minha escolha, porém as conquistas foram tão positivas, meu crescimento, tanto como pessoa quanto profissional, foram tão grandes que posso dizer que fiz a coisa certa. Arrisquei e acertei. Quando você trabalha para você, para seus sonhos, suas conquistas, o resultado é diferente. Não tem para quem se queixar, porque você acorda todo o dia tendo que tomar duas decisões, reclamar e se fazer de vítima por que a crise, por que isso, por que aquilo, ou ser um herói aprendiz, e construir suas oportunidades. Cabe a você decidir. E é o que eu tenho feito.
 
Fiquei 2 anos atuando no mercado de Chapecó-SC e região, e no final do ano passado, aprendi mais uma lição – Às vezes é preciso permitir que as pessoas que estão ao seu lado também cresçam e você precisa se adaptar a isso. Meu marido recebeu uma oportunidade melhor de trabalho, e nos mudamos para o litoral de Santa Catarina, onde tive que começar a criar do zero minha rede de relacionamento, tive que me reinventar. E aqui, comecei a colocar em prática algumas das lições do meu caderninho, principalmente a lição: relacionamento. Quando você é empreendedor, tudo é relacionamento, independentemente de onde você estiver.
 
E hoje estou em Itapema, com o caderninho das lições aberto e aplicando intensamente com o espírito empreendedor. Certa das minhas decisões e feliz com os meus resultados, pronta para o próximo capítulo da minha história.

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