#ELAS na literatura: 7 escritoras que você precisa conhecer

Por Redação RME – Maitê Borges
 
Em comemoração ao Mês das Mulheres, a RME produziu uma série de listas com figuras femininas importantes em seus cenários. Serão oito listas contando um pouco sobre esses ícones históricos tão importantes e provando que lugar de mulher é onde ela quiser.
 

Confira escritoras que retrataram, seja em suas vidas pessoais ou em suas obras, a luta das mulheres por seus direitos e criticaram a sociedade patriarcal.
 

Lygia Fagundes Telles

 

lygia fagundes telles
 

Quando começou a escrever, aos 8 anos de idade, não imaginava que se tornaria uma das mais importantes escritoras brasileiras. Publicou seus primeiros contos, Porão e Sobrado (1938), na adolescência e consagrou sua carreira tanto no Brasil, quanto internacionalmente. Lygia foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, ganhou três prêmios Jabuti, um Prêmio Camões e o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros.
 
Em 2016, aos 92 anos, ela foi a primeira mulher brasileira a ser indicada para o Prêmio Nobel de Literatura. Em uma de suas homenagens públicas, Lygia declarou que “queria mostrar que a mulher, no Brasil, não precisava ser rainha do lar. Queria dizer que ela pode segurar a tocha da coragem e do desejo de mostrar a igualdade entre homens e mulheres.”

 

Indicação de livros: Ciranda de Pedra e As Meninas

 

Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977)

 

Carolina Maria de Jesus

 

Uma das primeiras escritoras negras do Brasil a ganhar reconhecimento, Carolina tem uma história que não vai de encontro com a de outras escritoras. Foi na favela do Canindé, zona norte de São Paulo, onde morava, que se tornou escritora. Semi-analfabeta, ela escrevia em um diário sua rotina como catadora de lixo, as situações que observava nos barracos vizinhos, as idas e vindas para buscar restos de comida para dar aos seus três filhos e as reflexões sobre o cenário de desigualdade vivido em meados da década de 50.
 

Carolina foi descoberta por jornalistas e seus cadernos deram origem ao livro “Quarto de Despejo”. A obra teve a ortografia e palavras originais mantidas, sem correção, e foi vendida em mais de 40 países.
 

“Eu deixei o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa pensar nas miserias que nos rodeia. (…) Deixei o leito para escrever. Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as flores de todas as qualidades. (…) É preciso criar este ambiente de fantasia, para esquecer que estou na favela
 

Fiz o café e fui carregar agua. Olhei o céu, a estrela Dalva já estava no céu. Como é horrível pisar na lama.
 

As horas que sou feliz é quando estou residindo nos castelos imaginarios.” – Trecho de Quarto de Despejo,

 

Indicação de livro: Quarto de Despejo

 

Cora Coralina (1889-1985)

 

cora coralina
 

Apesar de ter começado a escrever seus poemas aos 14 anos, a goiana trabalhou como doceira grande parte de sua vida e teve seu primeiro livro publicado aos 75 anos. Senhora de poderosas palavras, Cora escrevia com simplicidade e seu desconhecimento sobre regras da gramática contribuiu para que suas obras priorizassem a mensagem ao invés da forma. A escritora fugiu de modismos literários e tinha como inspiração o cotidiano no interior de Goiás e elementos folclóricos da cultura do centro-oeste brasileiro, o que tornou sua obra única. Foi ao ter a segunda edição de seu primeiro livro Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais que Cora passou a ser admirada por todo o Brasil. 
 

Indicação de livro: Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais; Vintém de cobre
 

Chimamanda Ngozi Adichie


 

chimamanda
 

A escritora nigeriana é reconhecida como uma das mais importantes autoras da atualidade e está atraindo uma nova geração de leitores de literatura africana. Seus primeiros romances, Hibisco Roxo e Meio Sol Amarelo, tem como fio condutor a Nigéria natal. Com Americanah, um romance que trata de questões de raça, gênero e identidade, Adichie ganhou o prêmio National Book Critics Circle Award.
 

Com fortes posicionamentos em defesa dos direitos da mulher, Chimamanda realizou uma palestra no TEDxEuston intitulada “Todos nós deveríamos ser feministas”. Seu discurso foi incorporado em 2013 na música “Flawless” da cantora americana Beyoncé, e ganhou repercussão:

“Nós ensinamos às garotas a se encolherem, a se fazerem menores. Nós dizemos às garotas – você pode ter ambição, mas não muita. Você deve ter o objetivo de ser bem sucedida, mas não muito, porque se não ameaçará os homens.
 

Por ser uma mulher, as pessoas esperam que eu queira casar. Esperam que eu tome as decisões de minha vida levando sempre em conta que o casamento é o mais importante. Um casamento pode sim ser fonte de alegria, amor e apoio mútuo.
 

Mas por quê ensinamos as garotas a querer casar e não fazemos o mesmo com os garotos?
 

Criamos as garotas para competirem não por empregos ou feitos, o que acho que pode ser uma boa coisa, mas pela atenção dos homens. Ensinamos às garotas que elas não podem ser seres sexuais da mesma forma que os garotos são.

Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade econômica, social e política dos sexos.”

 

Indicação de livro: Americanah; Hibisco Roxo
 

Clarice Lispector  (1920 – 1977)

 

clarice lispector
 

Nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, Clarice é considerada uma das mais importantes escritoras do século XX. Sua família veio ao Brasil para fugir da perseguição a judeus, que estava sendo pregada na europa. Estudou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas percebeu o interesse pelo meio literário, logo se consagrando como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da literatura brasileira e do modernismo e sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. Suas obras têm como características as cenas cotidianas comuns e as tramas psicológicas dos personagens.
 

Sugestão de livros: A hora da estrela; A paixão segundo G.H; Laços de família

 

Virginia Woolf (1882 – 1941)

 

Virginia Woolf
 

Foi uma autora inglesa muito importante do Movimento Modernista do século XX. Virginia era uma leitora compulsiva, hábito que cultivava para compensar a falta de educação formal. Enquanto seus irmãos foram para Cambridge, ela teve aulas em casa. Famosa por apresentar em suas obras as questões políticas, sociais e feministas, seus romances criticavam a sociedade patriarcal e expunham a dificuldade da mulher em conquistar seu espaço devido a falta de liberdade e de acesso à educação. Sua vida foi marcada por transtornos psicológicos e em 1941, com a segunda-guerra mundial, após ter sua casa bombardeada e destruída, cometeu suicídio ao se jogar de uma ponte.
 

Sugestão de livro: Mrs. Dalloway

 

Rupi Kaur   

Rupi Kaur
 
A mais jovem e contemporânea da nossa lista, Rupi é uma escritora e poetisa indiana, de 25 anos. Seu primeiro livro de poesia e prosa publicado, Outros jeitos de usar a boca, trata de questões muito pessoais da autora, como abusos sofridos, traumas, conflitos familiares, feminilidade, amores e perdas. Recentemente, ela lançou outra antologia de poemas, O que o sol faz com as flores, que trata de crescimento e cura, ancestralidade e expatriação.

 

Rupi começou a divulgar suas poesias no Instagram e Tumblr, junto com ilustrações que ela mesma faz. Seu livro também repercutiu nas redes sociais, sobretudo entre jovens, que se identificam com os temas tratados.
 

“Quero pedir desculpa a todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas. Fico triste por ter falado como se algo tão simples como aquilo que nasceu com você, fosse seu maior orgulho, quando seu espírito já despedaçou montanhas. De agora em diante vou dizer coisas como, ‘você é forte’ ou, ‘você é incrível!’, não porque eu não te ache bonita, mas porque você é muito mais do que isso.” – Trecho de Outros jeitos de usar a boca

 

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