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Mulheres na Obra – conhecendo essas histórias [série]

Por Camila Pinotti
 
Mulheres na Obra! Você já viu? Conhece alguma? Esse artigo só existe para compartilhar o papo com algumas mulheres que participam efetivamente do que chamamos de “canteiro de obra”. Pedreiras, pintoras, arquitetas, engenheiras, eletricistas, quero ouvi-las!
 
Quero conhecer seu dia a dia, e quem sabe, entender porque ainda representamos um número tão pequeno na construção civil. Qual caminho te levou a trabalhar na obra? Foi a necessidade de ter outra renda para criar sozinha os filhos? Foi o único estágio que cobria suas despesas durante a faculdade? Que desafios enfrentam?
 
Só dúvidas permeiam esse retrato incompleto de quem trabalha ali, em meio ao barulho de britadeiras, com pó de gesso no cabelo e evitando esmalte escuro para não marcar nenhuma parede. Quem vê de fora corre o risco de interpretar mal e achar que é uma coisa ruim, mas as mulheres que vão à obra têm paixão e muita resiliência para se manterem em seus trabalhos.
 
Uma coisa é certa, ainda parece que aquele lugar não esperava por nós, mas nem por isso devemos ficar de fora. É uma questão social, é uma questão de paixão, é voltar a discussão de rótulos, é quebrar paradigmas internos, é ser pioneira.
 
Pra mim essa história remete a 2015, quando no meio de uma obra conheci a Karla Lacerda, personagem do próximo texto, e isso me marcou. Era a primeira vez que encontrava outra mulher naquele espaço. E mais, tive minha voz respeitada. A simples presença de outra de nós lá, garantia que eu tivesse mais espaço.
 
Comecei a acompanhar obras em 2011, mas esse foi um processo se iniciou de forma esporádica até se tornar um período de todo o meu trabalho. A verdade? No começo tive medo. Um local onde só havia homens desconhecidos, com uma cultura machista, de fato não era o lugar dos sonhos. Mas outra parte de mim queria ver como as coisas aconteciam na prática. Eu queria entender qual o resultado de cada traço, e como criar projetos viáveis.
 
As dificuldades mais comuns eram: falta de um banheiro que eu pudesse ir, músicas ou comentários ofensivos à figura da mulher, e o constante questionamento da sua opinião técnica, seja por ser mulher, ou por ser jovem. Ficava no ar e nos olhares uma certeza de que eu era a estranha no ninho.
 
E foi participando de encontros com mulheres empreendedoras na RME que lembrei dessa experiência de 2015. Com as dúvidas de volta em mente, resolvi conversar não só com a Karla, mas também com outras mulheres e conhecer suas experiências.
 
Assim eu faço dois convites:
 
Uma vez por mês venha conhecer mulheres verdadeiramente incríveis.
E se você é mulher e se identificou me mande um e-mail (camilapinotti.arquitetura@gmail.com)! Quero te ouvir, e quem sabe sua história apareça aqui?
 
Acompanhe nossa série sobre Mulheres na Obra por Camila Pinotti

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